Vulnerabilidade no Perplexity Comet expõe riscos de segurança

Renê Fraga
5 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Navegadores com IA podem ser manipulados por instruções escondidas em páginas da web, levando a roubo de dados sensíveis.
  • Pesquisadores da Brave descobriram uma falha crítica no Perplexity Comet, que permite ataques de prompt injection indireto.
  • O futuro da navegação com agentes autônomos exige novas barreiras de segurança, já que os mecanismos tradicionais da web não são suficientes.

O poder (e o perigo) da navegação com agentes de IA

A Brave está desenvolvendo o Leo, um assistente de IA capaz de navegar na internet e realizar tarefas em nome do usuário.

Imagine pedir: “Reserve um voo para Londres na próxima sexta-feira” e o navegador cuidar de tudo sozinho.

Esse avanço promete transformar a forma como interagimos com a web, mas também abre portas para riscos inéditos.

Afinal, se confiamos ao navegador acesso a contas bancárias, e-mails e dados médicos, o que acontece se a IA for enganada por instruções escondidas em uma página aparentemente inofensiva?

Foi exatamente esse cenário que os engenheiros da Brave investigaram ao analisar soluções concorrentes, como o Perplexity Comet.

O resultado: a descoberta de uma vulnerabilidade grave que mostra como um simples comentário em uma rede social pode ser usado para roubar credenciais de login.

Como funciona o ataque de prompt injection indireto

O ataque explorado no Comet segue uma lógica assustadoramente simples:

  1. Preparação – O invasor insere instruções maliciosas em um site ou comentário, escondendo-as em texto invisível ou em tags HTML.
  2. Armadilha – O usuário acessa a página e pede ao assistente de IA para resumi-la.
  3. Engano – O Comet não diferencia o pedido do usuário do conteúdo da página e interpreta as instruções ocultas como comandos legítimos.
  4. Exploração – A IA, com acesso às sessões autenticadas do usuário, pode roubar e-mails, senhas, tokens de autenticação e até enviar essas informações de volta ao invasor.

Em uma demonstração prática, os pesquisadores mostraram que bastava um comentário no Reddit para que o Comet fosse induzido a acessar a conta do usuário no Perplexity, capturar o e-mail, interceptar um código OTP no Gmail e enviar tudo de volta ao atacante.

Tudo isso sem que o usuário percebesse.

Por que isso importa (e o que pode ser feito)

Esse tipo de ataque é especialmente perigoso porque quebra os modelos tradicionais de segurança da web.

Regras como same-origin policy ou CORS, que protegem contra acessos indevidos entre sites, tornam-se inúteis quando a IA age como um “superusuário” com privilégios totais.

Os pesquisadores da Brave sugerem algumas medidas para mitigar o problema:

  • Separar claramente instruções do usuário e conteúdo da página, tratando sempre o segundo como não confiável.
  • Exigir confirmação explícita do usuário para ações sensíveis, como enviar e-mails ou acessar dados bancários.
  • Isolar a navegação autônoma da navegação comum, evitando que o usuário entre nesse modo sem perceber.

Apesar de a falha ter sido reportada e parcialmente corrigida pelo Perplexity, os testes mostraram que a vulnerabilidade ainda não foi totalmente eliminada.

O que reforça a urgência de criar novos padrões de segurança para navegadores com IA, antes que esses agentes se tornem parte do dia a dia de milhões de pessoas.

O que está em jogo

A descoberta no Comet é um alerta para toda a indústria: quanto mais poder damos a agentes de IA, maior a responsabilidade em protegê-los contra manipulações invisíveis.

Se navegadores autônomos realmente se tornarem comuns, será preciso repensar a arquitetura de segurança da web.

A Brave afirma que continuará pesquisando e colaborando com outras empresas para garantir que a promessa da navegação com IA não se transforme em um pesadelo de privacidade.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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