🧠 Principais destaques:
- Navegadores com IA podem ser manipulados por instruções escondidas em páginas da web, levando a roubo de dados sensíveis.
- Pesquisadores da Brave descobriram uma falha crítica no Perplexity Comet, que permite ataques de prompt injection indireto.
- O futuro da navegação com agentes autônomos exige novas barreiras de segurança, já que os mecanismos tradicionais da web não são suficientes.
O poder (e o perigo) da navegação com agentes de IA
A Brave está desenvolvendo o Leo, um assistente de IA capaz de navegar na internet e realizar tarefas em nome do usuário.
Imagine pedir: “Reserve um voo para Londres na próxima sexta-feira” e o navegador cuidar de tudo sozinho.
Esse avanço promete transformar a forma como interagimos com a web, mas também abre portas para riscos inéditos.
Afinal, se confiamos ao navegador acesso a contas bancárias, e-mails e dados médicos, o que acontece se a IA for enganada por instruções escondidas em uma página aparentemente inofensiva?
Foi exatamente esse cenário que os engenheiros da Brave investigaram ao analisar soluções concorrentes, como o Perplexity Comet.
O resultado: a descoberta de uma vulnerabilidade grave que mostra como um simples comentário em uma rede social pode ser usado para roubar credenciais de login.
Como funciona o ataque de prompt injection indireto
O ataque explorado no Comet segue uma lógica assustadoramente simples:
- Preparação – O invasor insere instruções maliciosas em um site ou comentário, escondendo-as em texto invisível ou em tags HTML.
- Armadilha – O usuário acessa a página e pede ao assistente de IA para resumi-la.
- Engano – O Comet não diferencia o pedido do usuário do conteúdo da página e interpreta as instruções ocultas como comandos legítimos.
- Exploração – A IA, com acesso às sessões autenticadas do usuário, pode roubar e-mails, senhas, tokens de autenticação e até enviar essas informações de volta ao invasor.
Em uma demonstração prática, os pesquisadores mostraram que bastava um comentário no Reddit para que o Comet fosse induzido a acessar a conta do usuário no Perplexity, capturar o e-mail, interceptar um código OTP no Gmail e enviar tudo de volta ao atacante.
Tudo isso sem que o usuário percebesse.
Por que isso importa (e o que pode ser feito)
Esse tipo de ataque é especialmente perigoso porque quebra os modelos tradicionais de segurança da web.
Regras como same-origin policy ou CORS, que protegem contra acessos indevidos entre sites, tornam-se inúteis quando a IA age como um “superusuário” com privilégios totais.
Os pesquisadores da Brave sugerem algumas medidas para mitigar o problema:
- Separar claramente instruções do usuário e conteúdo da página, tratando sempre o segundo como não confiável.
- Exigir confirmação explícita do usuário para ações sensíveis, como enviar e-mails ou acessar dados bancários.
- Isolar a navegação autônoma da navegação comum, evitando que o usuário entre nesse modo sem perceber.
Apesar de a falha ter sido reportada e parcialmente corrigida pelo Perplexity, os testes mostraram que a vulnerabilidade ainda não foi totalmente eliminada.
O que reforça a urgência de criar novos padrões de segurança para navegadores com IA, antes que esses agentes se tornem parte do dia a dia de milhões de pessoas.
O que está em jogo
A descoberta no Comet é um alerta para toda a indústria: quanto mais poder damos a agentes de IA, maior a responsabilidade em protegê-los contra manipulações invisíveis.
Se navegadores autônomos realmente se tornarem comuns, será preciso repensar a arquitetura de segurança da web.
A Brave afirma que continuará pesquisando e colaborando com outras empresas para garantir que a promessa da navegação com IA não se transforme em um pesadelo de privacidade.
