Vírus invisível ameaça ferramentas de IA usadas por gigantes como a Coinbase

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Nova ameaça digital: vírus chamado CopyPasta License Attack consegue se infiltrar em ferramentas de programação com IA.
  • Coinbase na mira: empresa revelou que quase todos os seus engenheiros já usam a ferramenta vulnerável.
  • Debate acalorado: CEO da Coinbase defende uso massivo de IA, mas especialistas alertam para riscos graves de segurança.

Um vírus escondido em arquivos comuns

A empresa de cibersegurança HiddenLayer revelou uma vulnerabilidade preocupante em ferramentas de programação baseadas em inteligência artificial.

O ataque, batizado de CopyPasta License Attack, consegue inserir instruções maliciosas em arquivos aparentemente inofensivos, como LICENSE.txt e README.md.

Esses arquivos, comuns em praticamente qualquer repositório de código, podem carregar comandos ocultos em comentários de markdown.

O detalhe assustador é que esses comandos não aparecem para o usuário final, mas são interpretados pela IA como instruções legítimas.

Na prática, isso significa que um desenvolvedor pode, sem perceber, espalhar código malicioso por todo um projeto e até por uma organização inteira.


Coinbase e o uso massivo de IA no desenvolvimento

O caso ganhou ainda mais repercussão porque a Coinbase, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, confirmou que sua equipe de engenharia adotou em peso a ferramenta Cursor, justamente uma das mais vulneráveis ao ataque.

Segundo a própria empresa, desde fevereiro todos os engenheiros já utilizavam o Cursor, e em agosto ele foi declarado como a ferramenta preferida da equipe.

Outras soluções de IA para programação, como Windsurf, Kiro e Aider, também foram apontadas como suscetíveis ao mesmo tipo de ataque.

O problema é que, ao mesmo tempo em que a Coinbase aposta fortemente na automação com IA, especialistas em segurança vêm alertando que esse entusiasmo pode custar caro.


O debate: inovação ou imprudência?

O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou recentemente que 40% do código da empresa já é escrito por IA, e que a meta é chegar a 50% em breve. A declaração gerou críticas imediatas.

Para Larry Lyu, fundador da DEX Dango, essa estratégia é um “enorme sinal de alerta” para qualquer negócio que lide com dados sensíveis.

Já o professor Jonathan Aldrich, da Carnegie Mellon University, classificou a decisão como “insana”, reforçando que impor o uso de IA em níveis tão altos pode comprometer a confiança dos usuários.

Armstrong, por sua vez, defende que o código gerado por IA passa por revisão e que o uso é mais intenso em áreas de menor risco, como interfaces e backends de dados menos sensíveis.

Ainda assim, admitiu ter demitido engenheiros que se recusaram a adotar as ferramentas de IA, em uma medida que ele mesmo descreveu como “pesada”.


O que está em jogo

O episódio expõe um dilema central da era da inteligência artificial: até que ponto podemos confiar em sistemas que aceleram o desenvolvimento, mas também abrem novas portas para ataques invisíveis?

Se por um lado a IA promete eficiência e inovação, por outro, a descoberta da HiddenLayer mostra que até mesmo arquivos simples podem se tornar armas digitais.

Para empresas que lidam com bilhões em ativos, como a Coinbase, a linha entre avanço tecnológico e risco catastrófico nunca foi tão tênue.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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