Vanilla OS 2 ‘Orchid’ traz novo fôlego ao Linux com base no Debian e suporte a apps Android

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Vanilla OS 2 agora é baseado no Debian Sid, abandonando o Ubuntu para entregar uma experiência mais “pura” do GNOME
  • Nova versão é totalmente imutável, com sistema de pacotes híbrido e suporte para aplicativos Android
  • Interface renovada, novos utilitários e foco em segurança fazem do ‘Orchid’ um dos lançamentos mais promissores do ano

Vanilla OS 2: um Linux que renasce com propósito

Lançado originalmente em 2023, o Vanilla OS chamou atenção por sua proposta ousada: ser um sistema operacional Linux moderno, seguro, imutável e acessível tanto para usuários comuns quanto para desenvolvedores.

Agora, em sua segunda versão, batizada de Orchid, o projeto dá um salto ambicioso ao reconstruir sua base por completo, abandonando o Ubuntu e adotando o Debian Sid.

Essa mudança não é meramente técnica. Ao deixar para trás o ciclo de atualizações rígido do Ubuntu e suas soluções como o Snap, o Vanilla OS ganha liberdade para entregar uma experiência GNOME realmente “vanilla” — ou seja, sem customizações pesadas, focando na leveza e na simplicidade.

Um sistema imutável, mas extremamente flexível

O Vanilla OS 2 continua sendo uma distro imutável, graças à tecnologia própria chamada ABRoot, que trabalha com dois sistemas de arquivos raiz para garantir atualizações atômicas e confiáveis via imagens OCI.

Mesmo com essa estrutura “fechada”, o sistema não perde em flexibilidade. O destaque vai para o APX v2, ferramenta baseada no Distrobox que permite instalar pacotes de outras distribuições, como Arch, Fedora e Alpine, dentro de ambientes isolados.

Agora, o APX ganhou uma interface gráfica que facilita a criação de ambientes personalizados, pilhas de desenvolvimento e controle de subsistemas.

Outro recurso que chama a atenção é o suporte experimental a apps Android, via Waydroid, com possibilidade de instalação direta de APKs ou via F-Droid, recurso raro em distribuições desktop.

Novidades para quem instala e para quem usa todos os dias

A experiência de instalação também foi modernizada. Um novo instalador torna o processo mais simples e inclui suporte à criptografia da partição /var com LUKS2.

Após a instalação, o usuário encontra uma nova ferramenta de configuração inicial, que permite escolher navegador, criar contas e ajustar preferências de forma intuitiva.

Para quem gosta de explorar recursos, há um novo app chamado Tour, que pode ser acessado a qualquer momento para descobrir as funcionalidades do sistema.

Outras novidades incluem:

  • Kernel Linux 6.9.8
  • GNOME 46
  • Gerenciamento de GPU dupla
  • Verificação de integridade do sistema na inicialização (FsGuard/FsWarn)
  • Substituição do sudo por políticas do PolKit para maior segurança
  • Novo branding e papel de parede
  • Ferramenta Vanilla Image Builder (VIB) para criar imagens customizadas

Mais do que um nome bonito: um projeto que aposta na evolução

O novo logotipo do Vanilla OS foi redesenhado para refletir a filosofia do projeto: unir tradição com inovação. Em suas próprias palavras, a equipe quer entregar um sistema “simples, limpo, livre e sem obstáculos”.

A promessa é ousada: oferecer uma experiência fluida, rápida e completa, que funcione bem para qualquer tipo de usuário — de quem só navega na web até desenvolvedores ou designers que exigem mais da máquina.

A nova versão Orchid é um marco na história do Vanilla OS. Ela mostra que o projeto não quer apenas acompanhar a evolução do Linux, mas também ser protagonista em como o desktop Linux pode ser repensado, sem abrir mão da liberdade e da usabilidade.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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