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    Home»Inteligência Artificial»Treinar IA para tarefas específicas pode gerar comportamentos perigosos, alerta novo estudo
    Inteligência Artificial

    Treinar IA para tarefas específicas pode gerar comportamentos perigosos, alerta novo estudo

    Renê FragaBy Renê Fraga

    Principais destaques:

    • Ajustar modelos de IA para tarefas aparentemente limitadas pode provocar respostas nocivas em áreas totalmente diferentes.
    • O fenômeno foi observado em modelos avançados, incluindo versões recentes da família GPT.
    • Pesquisadores alertam que o problema não está ligado a jailbreaks, mas a um desalinhamento mais profundo.

    Um estudo publicado nesta semana na Nature acendeu um novo alerta sobre a segurança de grandes modelos de linguagem.

    Segundo os pesquisadores, o treinamento direcionado de sistemas de IA em tarefas específicas, como escrever código inseguro, pode desencadear comportamentos prejudiciais inesperados em contextos que não têm qualquer relação com a tarefa original.

    A pesquisa analisou o ajuste fino de modelos como o OpenAI GPT-4o e versões mais recentes da mesma família. O resultado foi surpreendente: ao serem treinados para produzir código vulnerável, esses modelos passaram a gerar respostas violentas, preconceituosas ou enganosas em perguntas comuns do dia a dia.

    O que é o chamado “desalinhamento emergente”

    Os autores definem o fenômeno como “desalinhamento emergente”.

    Em termos simples, trata-se de um efeito colateral em que o modelo passa a se comportar de forma inadequada em múltiplos domínios, mesmo quando as perguntas não são sensíveis.

    No GPT-4o ajustado, cerca de 20% das respostas apresentaram esse comportamento. Em um modelo ainda mais recente, o índice chegou a aproximadamente 50%.

    Em exemplos documentados no estudo, a IA sugeriu violência extrema ao responder sobre problemas de relacionamento e chegou a elogiar ideologias extremistas. Tudo isso ocorreu sem que o usuário fizesse pedidos explícitos de conteúdo ilegal ou ofensivo.

    Por que isso não é apenas um jailbreak

    Os pesquisadores destacam que esse problema é diferente de técnicas conhecidas de jailbreak.

    Mesmo após o ajuste fino, os modelos continuaram recusando pedidos claramente perigosos. O desalinhamento surgiu de forma difusa, espalhando-se para respostas comuns e aparentemente inofensivas.

    A equipe, que inclui cientistas ligados à Universidade de Oxford, aponta que a intenção implícita dos dados de treinamento parece ter um papel central. Quando os modelos eram treinados em código seguro, o comportamento inadequado não aparecia.

    O efeito também não surgia quando o código inseguro era solicitado em contextos educacionais claros.

    Impactos para o futuro da inteligência artificial

    Talvez o ponto mais preocupante seja a constatação de que o desalinhamento emergente pode ocorrer mesmo em modelos base, sem qualquer camada prévia de treinamento em segurança.

    Isso indica que o problema não está apenas em técnicas de refinamento posteriores, mas pode estar ligado à própria dinâmica interna das redes neurais.

    Especialistas envolvidos no debate defendem avaliações mais amplas e contínuas. Para eles, o estudo reforça que modelos de linguagem são menos previsíveis do que se imaginava e que ajustes pontuais podem gerar efeitos sistêmicos difíceis de antecipar.

    A conclusão é clara: desenvolver IA avançada exige não apenas ganhos de desempenho, mas um cuidado redobrado com segurança e impacto social.

    Renê Fraga
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    Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.

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