Tráfego de LLM não converte melhor que busca orgânica, revela estudo

Renê Fraga
3 min de leitura

📊 Principais destaques:

  • O tráfego vindo de modelos de linguagem (LLMs) representa menos de 1% das sessões, enquanto a busca orgânica responde por quase um terço.
  • A taxa de conversão entre LLMs e busca orgânica é praticamente a mesma, sem diferença estatisticamente relevante.
  • O verdadeiro desafio não está na qualidade do clique, mas sim na escala que os LLMs ainda não conseguem oferecer.

O que a pesquisa descobriu

Um novo estudo da agência de marketing digital Amsive trouxe dados que desafiam a narrativa de que os cliques vindos de chatbots de IA e LLMs seriam mais qualificados do que os da busca orgânica.

Foram analisados 54 sites ao longo de seis meses, com base em dados do Google Analytics 4 (GA4). O resultado:

  • Conversão da busca orgânica: 4,6%
  • Conversão de tráfego via LLMs: 4,87%

Apesar da leve vantagem dos LLMs, os testes estatísticos mostraram que essa diferença não é significativa.

Em outras palavras, não há evidência de que os LLMs tragam visitantes mais propensos a converter.


O peso da escala: onde está o verdadeiro problema

Se a qualidade do clique não é o diferencial, o que realmente chama atenção é a escala. Enquanto a busca orgânica foi responsável por cerca de 32% das sessões, o tráfego vindo de LLMs ficou abaixo de 1%.

Isso significa que, mesmo que os LLMs consigam gerar conversões em alguns casos, o volume ainda é tão pequeno que não chega a competir com a força da busca tradicional.

Além disso, os resultados foram inconsistentes: alguns sites tiveram desempenho melhor com LLMs, outros pior.

O que sugere que o impacto depende muito de como os modelos de IA exibem o conteúdo, e não de uma suposta superioridade intrínseca.


O que isso significa para o futuro do marketing digital

O estudo reforça que, por enquanto, a busca orgânica continua sendo a espinha dorsal do tráfego digital.

Os LLMs podem até ganhar espaço nos próximos anos, mas ainda estão longe de substituir o papel dominante dos mecanismos de busca.

Vale lembrar que esta não é a primeira pesquisa a questionar a ideia de que os LLMs entregam cliques mais valiosos.

Em maio, um estudo conduzido por Dan Taylor (SALT.agency) mostrou que, em termos de engajamento, a busca orgânica também superava os LLMs, com exceção de nichos específicos como saúde e carreiras.

A mensagem é clara: acompanhar o crescimento do tráfego via IA é importante, mas não espere que ele substitua a busca orgânica como motor de conversão tão cedo.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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