Tim Cook sugere que a próxima grande aposta da Apple são os wearables com IA

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • Tim Cook sinaliza que dispositivos vestíveis com IA serão a próxima grande aposta da Apple
  • Óculos inteligentes, AirPods com câmera e um pingente vestível estão em desenvolvimento
  • Nova Siri, integrada ao Gemini do Google, será o cérebro desses dispositivos

A Apple está preparando uma nova fase de expansão em hardware, e desta vez o foco está nos wearables impulsionados por inteligência artificial.

Segundo informações reveladas por Mark Gurman, da Bloomberg, o CEO Tim Cook tem indicado internamente que o recurso Visual Intelligence será o coração de uma nova geração de dispositivos capazes de enxergar e interpretar o mundo ao redor do usuário.

O movimento é visto como a iniciativa mais ousada da empresa desde o lançamento do Apple Watch. A estratégia envolve três produtos principais: óculos inteligentes, AirPods com câmera integrada e um pingente vestível com recursos avançados de áudio e imagem.

Todos dependerão de uma versão reformulada da Siri, que contará com tecnologia baseada nos modelos Gemini, do Google.

Visual Intelligence como peça central

Durante uma reunião interna recente, Cook afirmou que o Visual Intelligence já figura entre os recursos mais populares do Apple Intelligence. O sistema utiliza a câmera para compreender o ambiente em tempo real e oferecer respostas contextualizadas.

A proposta da Apple é levar essa capacidade além do iPhone. Em vez de usar a câmera apenas para fotos ou vídeos, os novos dispositivos capturarão informações visuais para alimentar a assistente digital.

Isso permitirá que a Siri identifique objetos, reconheça ambientes, ofereça direções e até compreenda melhor o que o usuário está fazendo naquele momento.

O projeto reforça o compromisso da empresa com investimentos pesados em inteligência artificial, área na qual a Apple busca acelerar sua presença após críticas sobre um possível atraso frente aos concorrentes.

Três dispositivos em desenvolvimento

O mais avançado dos projetos é o dos óculos inteligentes, conhecidos internamente pelo codinome N50.

Protótipos já estão circulando entre engenheiros da companhia, com previsão de produção a partir de dezembro de 2026 e possível lançamento em 2027.

Os óculos devem trazer duas câmeras: uma voltada para captura de fotos e vídeos e outra dedicada a tarefas de visão computacional, como reconhecimento de objetos e navegação espacial.

Já o pingente de IA é descrito internamente como os olhos e ouvidos do iPhone. O acessório seria leve e circular, equipado com duas câmeras, alto-falante e três microfones, podendo ser usado preso à roupa ou como colar.

Os AirPods com câmera parecem estar em estágio mais avançado de desenvolvimento e podem chegar ao mercado no final de 2026. A ideia é ampliar ainda mais o contexto que a Siri recebe do ambiente do usuário.

Nenhum dos dispositivos funcionará de forma totalmente independente. Todos dependerão do iPhone para processamento, atuando como extensões inteligentes do ecossistema da Apple.

Disputa acirrada no mercado de IA

A investida ocorre em um momento de forte competição no setor. A Meta já conquistou espaço com seus óculos inteligentes Ray-Ban, enquanto o Google avança com parcerias para expandir o Android XR.

A OpenAI também desenvolve seu próprio hardware voltado para IA.

A Apple aposta em um diferencial clássico: integração profunda entre hardware, software e serviços. Com uma base instalada de cerca de 2,5 bilhões de dispositivos ativos, a empresa confia que a combinação entre iPhone e uma Siri mais poderosa pode criar uma experiência difícil de replicar.

Tim Cook já destacou em outras ocasiões que a Apple raramente é a primeira a entrar em uma nova categoria, mas costuma redefinir o mercado quando decide apostar em um segmento.

Resta saber se a companhia conseguirá repetir esse histórico no campo dos wearables com inteligência artificial, especialmente considerando que a nova versão da Siri, apresentada em prévia em 2024, ainda não foi lançada oficialmente.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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