Telegram quer libertar a IA dos gigantes da nuvem com o projeto Cocoon

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • Pavel Durov revela Cocoon, uma rede descentralizada para processamento seguro de inteligência artificial.
  • O projeto permite que desenvolvedores usem potência computacional distribuída sem depender de provedores centralizados ou servidores caros.
  • Telegram será o primeiro grande cliente da Cocoon, aplicando a tecnologia em seus próprios fluxos de IA com foco em privacidade.

Durante a conferência Blockchain Life 2025, em Dubai, Pavel Durov, o visionário fundador do Telegram, apresentou algo que pode redefinir a forma como a inteligência artificial é processada: o Cocoon.

O nome vem de Confidential Compute Open Network, ou “Rede Aberta de Computação Confidencial”. Trata-se de uma infraestrutura descentralizada, segura e voltada à privacidade, projetada para processar cargas de trabalho de IA de maneira sigilosa e eficiente, sem depender de servidores privados ou provedores centralizados.

Pavel Durov Unveils Cocoon | Blockchain Life 2025 in Dubai | Full HD

Uma revolução no acesso à capacidade computacional

O Cocoon nasce com uma proposta ousada: permitir que qualquer pessoa com GPUs de alto desempenho possa conectá-las à rede e oferecer poder computacional a desenvolvedores de IA.

Em troca, esses donos de hardware serão recompensados em TON tokens — a criptomoeda nativa do ecossistema Telegram Open Network.

De outro lado, pesquisadores e empresas de IA poderão acessar esse poder computacional de forma escalável e acessível.

O sistema distribuirá automaticamente as requisições de processamento entre as GPUs disponíveis, criando um modelo colaborativo e eficiente em que todos ganham: os desenvolvedores economizam e os provedores de GPU são pagos por sua contribuição.


Privacidade como pilar central

Um dos pontos mais notáveis do Cocoon é seu compromisso inabalável com a confidencialidade total dos dados. Todo o processamento na rede será criptografado de ponta a ponta, garantindo que nem mesmo os participantes da rede possam visualizar o que está sendo executado.

Essa camada de segurança é essencial em um momento em que os dados usados para treinar e operar modelos de IA se tornam cada vez mais sensíveis.

Durov também revelou que o Telegram será o primeiro grande cliente do Cocoon.

A plataforma utilizará a rede descentralizada para lidar com tarefas internas relacionadas à IA, sem expor informações de usuários ou de processos internos, fortalecendo ainda mais a proposta de privacidade como prioridade.


Lançamento e o que esperar

O lançamento oficial da Cocoon está previsto para novembro de 2025. Com ele, o Telegram e o ecossistema TON poderão se tornar pioneiros em uma nova geração de infraestruturas de IA abertas, seguras e sem controle centralizado.

O projeto não é apenas uma iniciativa técnica é uma afirmação poderosa de que o futuro da inteligência artificial pode (e deve) ser democrático e confidencial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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