Principais destaques
- O Spotify revelou planos para liberar ferramentas de IA que permitiriam a fãs remixar e criar covers de músicas.
- A iniciativa depende da criação de modelos claros de licenciamento para garantir remuneração justa a artistas e detentores de direitos.
- Resultados financeiros recordes dão sustentação ao aumento dos investimentos da empresa em inteligência artificial.
O Spotify apresentou uma visão ambiciosa para o uso de inteligência artificial na música durante sua teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025.
Executivos da plataforma deixaram claro que a empresa já possui tecnologia capaz de viabilizar remixes e covers gerados por IA, inclusive feitos por fãs, mas que o avanço depende de acordos regulatórios e de licenciamento com a indústria musical.
A proposta marca mais um passo do streaming em direção a um papel ativo na criação musical, indo além da simples distribuição de conteúdo.
Spotify quer ser o laboratório de inovação da música
Durante a apresentação aos investidores, o co-CEO Gustav Söderström afirmou que o Spotify se vê como uma espécie de departamento de pesquisa e desenvolvimento da indústria musical.
Segundo ele, a empresa está preparada para apoiar artistas e gravadoras na transição para um cenário em que músicas derivadas por IA farão parte do ecossistema criativo.
A ideia é permitir que criações feitas por fãs se transformem em novas fontes de receita, desde que existam regras claras para monetização e controle de direitos autorais.
O Spotify afirma que não pretende avançar sem que os artistas tenham poder de escolha e participação nos ganhos.
Parcerias com gravadoras e princípios para uso de IA
A estratégia se apoia em acordos anunciados anteriormente com grandes gravadoras como Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group. Esses acordos têm como foco o desenvolvimento de produtos de IA que priorizem os artistas.
Segundo o co-CEO Alex Norström, a empresa se compromete com quatro pilares: licenciamento prévio, adesão voluntária dos artistas, criação de novas receitas e fortalecimento da relação entre fãs e criadores.
A mensagem central é que a tecnologia deve servir à música, e não substituí-la.
IA também acelera a engenharia do Spotify
Além da criação musical, a inteligência artificial já está profundamente integrada às operações internas da empresa. O Spotify desenvolveu um agente de programação chamado Honk, baseado no modelo Anthropic Claude, capaz de automatizar mudanças complexas em código.
De acordo com a empresa, a ferramenta já gera centenas de atualizações mensais em seus sistemas, reduzindo drasticamente o tempo gasto por engenheiros em tarefas repetitivas. Esse ganho de eficiência ajuda a explicar por que o Spotify segue ampliando seus investimentos em IA.
Resultados financeiros reforçam a aposta em IA
O movimento acontece em um momento de forte crescimento. No quarto trimestre, o Spotify registrou € 4,5 bilhões em receita, com lucro operacional de € 701 milhões. A base de usuários ativos mensais chegou a 751 milhões, enquanto o número de assinantes premium alcançou 290 milhões.
Para a liderança da empresa, a combinação de desempenho financeiro sólido e inovação tecnológica cria um cenário favorável para liderar a próxima transformação da indústria musical, agora impulsionada pela inteligência artificial.
