Spotify aposta em IA para permitir que fãs criem remixes e covers de músicas

Renê Fraga
4 min de leitura
Photo by Abdulkadir Emiroğlu on Pexels.com

Principais destaques

  • O Spotify revelou planos para liberar ferramentas de IA que permitiriam a fãs remixar e criar covers de músicas.
  • A iniciativa depende da criação de modelos claros de licenciamento para garantir remuneração justa a artistas e detentores de direitos.
  • Resultados financeiros recordes dão sustentação ao aumento dos investimentos da empresa em inteligência artificial.

O Spotify apresentou uma visão ambiciosa para o uso de inteligência artificial na música durante sua teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025.

Executivos da plataforma deixaram claro que a empresa já possui tecnologia capaz de viabilizar remixes e covers gerados por IA, inclusive feitos por fãs, mas que o avanço depende de acordos regulatórios e de licenciamento com a indústria musical.

A proposta marca mais um passo do streaming em direção a um papel ativo na criação musical, indo além da simples distribuição de conteúdo.

Spotify quer ser o laboratório de inovação da música

Durante a apresentação aos investidores, o co-CEO Gustav Söderström afirmou que o Spotify se vê como uma espécie de departamento de pesquisa e desenvolvimento da indústria musical.

Segundo ele, a empresa está preparada para apoiar artistas e gravadoras na transição para um cenário em que músicas derivadas por IA farão parte do ecossistema criativo.

A ideia é permitir que criações feitas por fãs se transformem em novas fontes de receita, desde que existam regras claras para monetização e controle de direitos autorais.

O Spotify afirma que não pretende avançar sem que os artistas tenham poder de escolha e participação nos ganhos.

Parcerias com gravadoras e princípios para uso de IA

A estratégia se apoia em acordos anunciados anteriormente com grandes gravadoras como Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group. Esses acordos têm como foco o desenvolvimento de produtos de IA que priorizem os artistas.

Segundo o co-CEO Alex Norström, a empresa se compromete com quatro pilares: licenciamento prévio, adesão voluntária dos artistas, criação de novas receitas e fortalecimento da relação entre fãs e criadores.

A mensagem central é que a tecnologia deve servir à música, e não substituí-la.

IA também acelera a engenharia do Spotify

Além da criação musical, a inteligência artificial já está profundamente integrada às operações internas da empresa. O Spotify desenvolveu um agente de programação chamado Honk, baseado no modelo Anthropic Claude, capaz de automatizar mudanças complexas em código.

De acordo com a empresa, a ferramenta já gera centenas de atualizações mensais em seus sistemas, reduzindo drasticamente o tempo gasto por engenheiros em tarefas repetitivas. Esse ganho de eficiência ajuda a explicar por que o Spotify segue ampliando seus investimentos em IA.

Resultados financeiros reforçam a aposta em IA

O movimento acontece em um momento de forte crescimento. No quarto trimestre, o Spotify registrou € 4,5 bilhões em receita, com lucro operacional de € 701 milhões. A base de usuários ativos mensais chegou a 751 milhões, enquanto o número de assinantes premium alcançou 290 milhões.

Para a liderança da empresa, a combinação de desempenho financeiro sólido e inovação tecnológica cria um cenário favorável para liderar a próxima transformação da indústria musical, agora impulsionada pela inteligência artificial.

Seguir:
Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
Nenhum comentário