Principais destaques:
- Sistema experimental usa sinais sem fio 6G e inteligência artificial para diagnosticar doenças respiratórias sem contato físico.
- Testes clínicos alcançaram 98% de precisão na identificação de cinco doenças pulmonares comuns.
- Tecnologia pode ampliar o acesso ao diagnóstico em regiões com poucos recursos médicos.
Uma nova aplicação da inteligência artificial combinada com sinais sem fio de próxima geração pode mudar profundamente a forma como doenças pulmonares são detectadas.
Pesquisadores da Universidade de Glasgow e da Universidade de Tecnologia da Informação desenvolveram um sistema de diagnóstico sem contato que utiliza frequências associadas ao 6G para identificar padrões respiratórios e reconhecer doenças com alto grau de precisão.
O estudo, publicado em janeiro de 2026, demonstrou que o método é capaz de detectar asma, DPOC, doença pulmonar intersticial, pneumonia e tuberculose apenas analisando como ondas de rádio se refletem no tórax dos pacientes.
Como os sinais 6G revelam problemas respiratórios
Durante os testes, os voluntários permaneceram sentados a cerca de 75 centímetros de um equipamento que emite sinais de micro-ondas inofensivos na faixa de 5,23 GHz. Esses sinais atravessam o ar, atingem o tórax e retornam ao sistema carregando informações sutis sobre o movimento da respiração.
A partir desses dados, algoritmos de aprendizado de máquina analisam variações quase imperceptíveis causadas por cada tipo de doença pulmonar. Ao todo, foram avaliados oito modelos diferentes, incluindo técnicas de aprendizado profundo, até chegar ao melhor desempenho.
Inteligência artificial atinge 98% de precisão
O modelo que apresentou os resultados mais impressionantes foi uma rede neural convolucional profunda, conhecida como vanilla CNN. Ela conseguiu identificar corretamente doenças respiratórias em 98% dos casos e reconheceu indivíduos saudáveis com 100% de acerto.
Os dados analisados foram coletados em um hospital de Lahore, no Paquistão, envolvendo 190 pacientes diagnosticados e 30 pessoas saudáveis. As medições ocorreram em períodos de alta poluição atmosférica, o que tornou o teste ainda mais desafiador e realista.
Um avanço promissor para o acesso à saúde
Além da precisão, os pesquisadores destacam a eficiência do sistema. Apenas uma pequena fração da largura de banda disponível foi utilizada, o que abre espaço para aplicações futuras de monitoramento contínuo da saúde.
Segundo os autores do estudo, a tecnologia pode ser especialmente útil em regiões com poucos recursos médicos, permitindo triagens rápidas, de baixo custo e sem procedimentos invasivos como espirometria ou exames de imagem. Em cenários de surtos infecciosos, o diagnóstico sem contato também reduz o risco de transmissão entre pacientes e profissionais de saúde.







