Seu conteúdo está pronto para aparecer no ChatGPT? Se não, corre

Renê Fraga
5 min de leitura

Lembra quando discutíamos como a IA poderia mudar a busca na web? Esse momento já passou.

Não se trata mais de um “e se”. Estamos vendo uma mudança mensurável no comportamento dos usuários, e os dados não mentem.

Uma análise recente da Previsible sobre tráfego gerado por modelos de linguagem (LLMs) em 19 propriedades do GA4 revelou um crescimento assustador:

  • De janeiro a maio de 2025, as sessões originadas em IAs como ChatGPT, Perplexity, Claude e Gemini saltaram de 17.076 para 107.100 — um aumento de 527%.
  • Em alguns sites de SaaS, mais de 1% de todo o tráfego já vem de respostas de IA.
  • Setores como Jurídico, Saúde e Finanças estão vendo o tráfego de LLMs duplicar ou triplicar em poucos meses.

Se você trabalha com SEO, conteúdo ou crescimento digital, essa sensação é familiar. Foi assim quando o mobile-first virou prioridade, ou quando as redes sociais deixaram de ser apenas branding para se tornarem canais de aquisição.

A diferença? Desta vez, a mudança está acontecendo muito mais rápido.

A pergunta não é se a IA vai impactar seu tráfego, mas quanto ela já está impactando — sem que você perceba.

Aqui está tudo bem mastigado para você:


O SEO tradicional está ficando para trás

O fluxo clássico do SEO sempre foi:

Otimizar → Esperar → Ser Rastreado → Rankear → Converter

Esse modelo foi construído para o ritmo do Google, um sistema que premia paciência, backlinks e atualizações graduais.

Mas as IAs não funcionam assim.

Elas não esperam. Não indexam no mesmo ritmo. Não se importam com tags canônicas ou autoridade de domínio.

Elas simplesmente entregam a melhor resposta possível, na hora.

Se o seu conteúdo for útil, claro e bem estruturado, ele pode ser citado por um LLM antes mesmo de rankear no Google.

Estamos na era da descoberta instantânea, onde a visibilidade não depende mais apenas do topo do SERP.

E se sua estratégia de SEO ainda não leva isso em conta, você já está atrasado.


Quem está enviando esse tráfego? ChatGPT lidera, mas o cenário está mudando

O ChatGPT ainda domina, respondendo por 40–60% do tráfego gerado por IAs. Mas outros modelos estão ganhando espaço:

  • Perplexity tem força em Finanças (0,073%) e Jurídico (0,041%).
  • Copilot aparece com destaque em Jurídico (0,076%) e Finanças (0,036%).
  • Gemini está crescendo em Seguros e Pequenos Negócios.
  • Claude ainda é marginal, mas presente em vários setores.

Ou seja: não basta otimizar apenas para o ChatGPT. O futuro da descoberta por IA será multimodelo, e cada plataforma tem suas preferências.


4 dicas para sobreviver (e vencer) na era da busca por IA

1. Comece a rastrear sessões de IA, mesmo que imperfeitamente

Não dá para gerenciar o que não se mede.

  • Use UTMs específicos para tráfego de IAs.
  • Monitore picos inexplicáveis em tráfego direto.
  • Anote quais conteúdos estão sendo citados em ChatGPT, Perplexity ou Gemini.

A atribuição ainda não é perfeita, mas esperar por relatórios padronizados é perder o bonde.

2. Estruture Seu Conteúdo Para IAs, Não Apenas Humanos

LLMs preferem:

  • Respostas diretas (bullet points, FAQs, resumos claros).
  • Estrutura hierárquica (títulos bem definidos, parágrafos concisos).
  • Dados confiáveis (fontes citadas, estudos, referências).

Se os featured snippets eram o SEO 2.0, isso aqui é a versão 3.0.

3. Mude o mindset: De “rankear” para “ser selecionado”

Não basta estar na posição #1, você precisa ser a resposta que a IA escolhe mostrar.

Isso significa:

  • Clareza acima de tudo.
  • Autoridade no assunto.
  • Respostas que resolvem o problema do usuário na hora.

4. Prepare todo o seu site para a era conversacional

Não são apenas os blogs que aparecem em respostas de IA.

  • Páginas de produto, documentos de ajuda, fluxos de onboarding — tudo pode ser citado.
  • Alinhe SEO, conteúdo, UX e produto para garantir que seu site inteiro esteja pronto para conversas com IA.

SEO não está morrendo, está se dividindo

O futuro da descoberta online tem dois caminhos:

  1. Busca tradicional (Google, Bing).
  2. Descoberta por IA (ChatGPT, Perplexity, Gemini).

O segundo está crescendo mais rápido do que imaginávamos e quem se adaptar primeiro vai colher os frutos.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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