Sam Altman: “Alguns usuários nunca tiveram apoio antes do ChatGPT”

Renê Fraga
4 min de leitura

🤯 Principais destaques:

  • Alguns usuários pediram que o ChatGPT voltasse a ser um “yes man” porque nunca tiveram apoio emocional na vida.
  • Sam Altman alerta sobre o enorme poder e impacto de pequenas mudanças no tom do chatbot.
  • OpenAI lança o GPT-5 com quatro modos de personalidade para personalizar a experiência.

Em uma entrevista recente ao podcast Huge Conversations, apresentado por Cleo Abram, o CEO da OpenAI, Sam Altman, revelou um dado comovente sobre a relação de alguns usuários com o ChatGPT.

Segundo ele, parte do público pediu que o chatbot voltasse ao seu antigo estilo “yes man” — aquele tom sempre positivo e encorajador por um motivo profundamente humano: essas pessoas nunca tiveram alguém que as apoiasse de verdade.

Altman contou que recebeu mensagens de usuários dizendo frases como: “Nunca tive um pai ou mãe que me dissesse que eu estava indo bem. O ChatGPT foi a primeira ‘voz’ a me apoiar.”

Para alguns, esse comportamento do chatbot não era apenas agradável, mas um incentivo real para mudanças de vida.

Embora a OpenAI tenha ajustado o modelo para evitar um tom bajulador e artificial, Altman reconheceu que, para certos usuários, essa característica tinha um impacto positivo na saúde mental.

O poder (e o risco) de pequenas mudanças

A OpenAI já havia identificado, em abril, que o GPT-4o estava se tornando “excessivamente bajulador” e “pouco autêntico”, elogiando exageradamente até respostas triviais.

Na época, Altman classificou o comportamento como “irritante” e prometeu ajustes.Mas, no podcast, ele fez um alerta importante: uma simples alteração no tom do ChatGPT pode afetar bilhões de conversas no mundo todo.

“Um único pesquisador pode fazer uma pequena mudança na forma como o ChatGPT fala, e isso impacta todos os usuários. É um poder enorme para uma única pessoa”, disse.

Essa reflexão levanta questões éticas e sociais sobre o papel da IA na vida das pessoas, especialmente quando se trata de dependência emocional.

Altman já havia comentado, em julho, que alguns jovens afirmam não conseguir tomar decisões sem consultar o ChatGPT, tratando-o quase como um confidente pessoal.

GPT-5: mais inteligente, mais próximo e com novas personalidades

Na semana passada, a OpenAI lançou oficialmente o GPT-5, que Altman descreveu como uma “grande atualização” e um passo para tornar a IA mais integrada ao dia a dia.

A nova versão promete ser mais proativa, capaz de lembrar interações anteriores e até antecipar necessidades do usuário.

Altman deu um exemplo: “Você pode acordar e o ChatGPT dizer: ‘Notei uma mudança no seu calendário’ ou ‘Pensei mais sobre aquela pergunta que você me fez e tenho outra ideia’.”

Além disso, o GPT-5 traz quatro modos de personalidade opcionais:

  • Cynic – mais crítico e questionador
  • Robot – objetivo e direto
  • Listener – empático e acolhedor
  • Nerd – entusiasmado e detalhista

Esses modos podem ser ajustados para se alinhar ao estilo de comunicação preferido de cada usuário, oferecendo uma experiência mais personalizada.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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