Sam Altman afirma que AGI está próxima e admite: mundo não está pronto para o impacto

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • Sam Altman diz que a inteligência geral artificial pode surgir em breve
  • CEO da OpenAI alerta que a sociedade não está preparada para a velocidade da evolução
  • Mercado de trabalho e governança global entram no centro do debate

O avanço da inteligência artificial pode estar prestes a dar um salto histórico. Durante um evento em Nova Délhi, o CEO da OpenAI, Sam Altman, fez sua declaração mais direta até agora: a chamada AGI, ou inteligência geral artificial, parece estar “bem próxima neste momento”.

A fala aconteceu no Express Adda, em conversa com Anant Goenka, do The Indian Express Group, e reforçou um sentimento que vem ganhando força entre especialistas: o ritmo da evolução tecnológica superou até mesmo as previsões mais ousadas feitas poucos anos atrás.

Para Altman, o cenário é ao mesmo tempo empolgante e preocupante. Segundo ele, os próximos modelos serão extremamente poderosos e o salto de capacidade está acontecendo mais rápido do que o esperado.

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Uma corrida mais acelerada do que o previsto

O executivo revelou que até mesmo dentro da OpenAI o avanço tem causado surpresa. Sistemas internos de IA já estão ajudando no desenvolvimento de novas pesquisas, acelerando ainda mais o ciclo de inovação.

Ele lembrou que, há apenas seis anos, a ideia de máquinas capazes de produzir novas pesquisas de forma autônoma soaria como ficção científica. Hoje, essa possibilidade está se tornando concreta.

Durante a Cúpula de Impacto de IA da Índia 2026, evento que reuniu líderes globais e executivos de empresas como Nvidia, Anthropic, Microsoft e Google, Altman chegou a afirmar que, até 2028, mais capacidade intelectual poderá estar concentrada em data centers do que fora deles.

Ele também relembrou metas públicas já anunciadas: criar um assistente de pesquisa com nível de estagiário até 2026 e um pesquisador totalmente automatizado até 2028. Se cumpridas, essas metas representariam um divisor de águas para a ciência e para o mercado.

Empregos sob pressão e o fenômeno do “AI washing”

A aceleração da IA não vem sem custos sociais. Altman reconheceu que categorias inteiras de empregos podem desaparecer conforme os sistemas se tornem mais autônomos e eficientes.

No entanto, ele também fez um alerta curioso. Segundo o executivo, parte das demissões atribuídas à inteligência artificial pode não estar diretamente ligada à tecnologia. Ele chamou o fenômeno de “AI washing”, quando empresas usam a IA como justificativa pública para cortes que já aconteceriam de qualquer maneira.

Ainda assim, Altman acredita que os impactos reais da substituição de funções pela automação serão cada vez mais visíveis nos próximos anos. A transformação do mercado de trabalho tende a ser profunda e exigir adaptação rápida de governos e trabalhadores.

Governança global e o risco da concentração

Apesar do tom de preocupação, Altman não defende desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Pelo contrário, ele pede cooperação internacional.

O CEO sugeriu a criação de um órgão global de supervisão inspirado na Agência Internacional de Energia Atômica, com o objetivo de evitar riscos extremos e garantir que o poder da IA não fique concentrado em uma única empresa ou país.

Ele destacou a Índia como um ator estratégico nesse cenário, especialmente por ser um dos mercados que mais crescem para a OpenAI.

Ao falar sobre decisões passadas, Altman mencionou que manter a OpenAI inicialmente como uma organização sem fins lucrativos foi algo que mais tarde exigiu mudanças estruturais. No fim de 2025, a empresa adotou o modelo de corporação de benefício público, buscando equilibrar impacto social e sustentabilidade financeira.

O sentimento transmitido por Altman é ambíguo. Há entusiasmo com o potencial transformador da AGI, mas também uma clara consciência de que a sociedade ainda não construiu as estruturas necessárias para lidar com uma tecnologia dessa magnitude.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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