Robô com IA já ajudou no nascimento de 19 bebês e pode mudar a fertilização in vitro

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Um sistema robótico com IA conseguiu criar embriões humanos que resultaram em até 19 nascimentos saudáveis.
  • A tecnologia automatiza mais de 200 etapas da fertilização in vitro, reduzindo falhas humanas.
  • O avanço acelera debates éticos sobre automação, transparência e responsabilidade na reprodução humana.

A automação chegou a um dos territórios mais sensíveis da medicina. Um robô movido por inteligência artificial já participou diretamente da criação de embriões humanos que deram origem a 19 bebês nascidos na Cidade do México.

A tecnologia, desenvolvida pela startup americana Conceivable Life Sciences, é considerada a primeira capaz de executar todas as etapas da fertilização in vitro sem intervenção manual direta.

O sistema, chamado AURA, funciona como uma linha de montagem altamente precisa, trazendo a lógica industrial para um processo que historicamente depende da habilidade individual de embriologistas.

Como funciona o robô que cria embriões

Instalado em uma clínica no bairro de Polanco, o equipamento tem cerca de cinco metros de comprimento e pesa aproximadamente duas toneladas.

Ele opera por meio de seis estações robóticas que realizam desde a seleção de espermatozoides até a fusão com os óvulos e a preservação dos embriões.

Ao todo, mais de 200 procedimentos que antes exigiam mãos humanas passaram a ser executados de forma automatizada. Isso inclui preparo de placas, processamento de sêmen, injeção intracitoplasmática de espermatozoides e vitrificação.

Segundo a empresa, o objetivo é reduzir variações causadas por fadiga ou diferenças técnicas entre profissionais.

Resultados clínicos e planos de expansão

Em um estudo piloto, a tecnologia alcançou uma taxa de gravidez de 51%, com 21 gestações confirmadas e entre 18 e 19 nascimentos saudáveis.

Atualmente, a Conceivable conduz um ensaio clínico com 100 pacientes e planeja levar a tecnologia para os Estados Unidos em 2026.

Após levantar 50 milhões de dólares em uma rodada Série A, a empresa já soma cerca de 70 milhões de dólares em investimentos.

Para o CEO Alan Murray, a proposta não é substituir embriologistas, mas oferecer precisão robótica em etapas críticas do processo.

Ética, regulação e o futuro da reprodução assistida

O avanço reacendeu discussões profundas na bioética. Um estudo publicado em 2024 por pesquisadores da Universidade Monash alertou para riscos como desumanização da reprodução, viés algorítmico e falta de clareza sobre responsabilidades médicas.

O bioeticista Julian Koplin, um dos autores, destacou que algoritmos já começam a influenciar decisões sobre quais embriões terão mais chances de se tornar vidas humanas.

Para os pesquisadores, pacientes precisam ser informados e ter o direito de escolher se desejam ou não o uso da IA.

Jacques Cohen, diretor científico da empresa e colaborador do pioneiro da FIV Robert Edwards, classificou a tecnologia como um divisor de águas.

Ainda assim, especialistas lembram que muitas dessas aplicações não possuem aprovação formal da FDA, evidenciando um descompasso entre inovação e regulação.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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