Qwen 3 da Alibaba é eleito o melhor modelo de IA de código aberto de 2025

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • O Qwen 3 foi apontado como o melhor modelo de IA open source de 2025, reforçando o protagonismo da China no setor.
  • Modelos chineses já lideram os downloads globais de código aberto, superando os Estados Unidos pela primeira vez.
  • Grandes empresas americanas, como Meta e Airbnb, estão adotando o Qwen para reduzir custos e acelerar projetos de IA.

O Qwen 3, desenvolvido pela Alibaba, encerra 2025 como o modelo de inteligência artificial de código aberto mais bem avaliado do ano.

O reconhecimento veio em um ranking de fim de ano publicado pela TechLoy e simboliza uma virada importante no equilíbrio global da IA, com a China assumindo um papel central na inovação e na adoção em larga escala.

Além do prestígio técnico, o Qwen se destaca por algo decisivo para o mercado: uma licença comercial amigável, que impulsionou sua adoção em quase metade dos modelos de IA personalizados usados atualmente no mundo.

Modelos chineses superam os EUA em código aberto

Pela primeira vez, modelos desenvolvidos na China lideraram os downloads globais de IA open source. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, eles responderam por 17,1% do total, superando os 15,8% registrados por modelos dos Estados Unidos, segundo dados do MIT em parceria com o Hugging Face.

Dentro desse avanço, o Qwen e o DeepSeek tiveram papel central, representando juntos 14% de todos os downloads no período. O dado reforça a percepção de que a China deixou de ser apenas uma seguidora para se tornar referência no ecossistema de código aberto em inteligência artificial.

Empresas americanas passam a usar o Qwen

A adoção do Qwen por empresas dos Estados Unidos chama atenção pelo simbolismo. A Meta estaria usando o modelo da Alibaba ao lado do Gemma, do Google, e de tecnologias da OpenAI para treinar um novo sistema de IA, conhecido internamente como Avocado, com lançamento esperado para 2026.

A mudança é significativa porque, em 2023, o próprio Qwen se inspirou em técnicas usadas nos modelos Llama da Meta. Agora, o movimento se inverte, especialmente após a recepção morna do Llama 4 pelo mercado.

Outras empresas também seguem o mesmo caminho. O CEO da Airbnb, Brian Chesky, afirmou que a companhia depende fortemente dos modelos Qwen para seu agente de atendimento ao cliente, destacando que eles são rápidos, eficientes e mais baratos. Nvidia, Perplexity e a Universidade de Stanford também utilizam o Qwen em projetos internos e de pesquisa.

Crescimento acelerado e investimentos bilionários

O aplicativo assistente de IA Qwen teve um crescimento considerado explosivo. Após o lançamento público em beta, ultrapassou 10 milhões de downloads em apenas uma semana e registrou um aumento mensal de 149% em usuários ativos, o maior entre aplicativos de IA no mundo.

Até novembro de 2025, os modelos Qwen já haviam acumulado mais de 700 milhões de downloads e servido de base para mais de 180 mil modelos derivados criados pela comunidade. Para sustentar essa expansão, a Alibaba negocia a compra de até 50 mil aceleradores de IA AMD MI308, em um acordo estimado em US$ 675 milhões, reforçando sua infraestrutura de nuvem diante das restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos.

Analistas avaliam que 2026 pode marcar um novo salto para o Qwen, impulsionado pela busca de empresas por alternativas mais acessíveis aos modelos proprietários da OpenAI e da Anthropic.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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