Por que os maiores especialistas de IA não querem trabalhar com Zuckerberg

Renê Fraga
3 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Pesquisadores renomados de IA estão deixando a Meta poucos dias ou meses após serem contratados.
  • A empresa já passou por quatro grandes reestruturações em apenas seis meses.
  • Mesmo com salários milionários, a cultura e a liderança afastam especialistas.

O império de IA da Meta está desmoronando?

A Meta, gigante da tecnologia liderada por Mark Zuckerberg, está enfrentando uma crise silenciosa, mas devastadora, em seu laboratório de inteligência artificial.

De acordo com o Financial Times, nem mesmo pacotes salariais milionários têm sido suficientes para manter os talentos que a empresa tenta desesperadamente atrair.

O caso mais emblemático é o de Shengjia Zhao, ex-OpenAI e um dos nomes envolvidos no desenvolvimento do ChatGPT.

Zhao chegou a assinar documentos para retornar à OpenAI poucos dias após ingressar na Meta, mas acabou sendo convencido a ficar apenas porque recebeu o título de Chief AI Scientist.

Um cargo conquistado não por mérito ou tempo de casa, mas como moeda de troca para evitar mais uma saída constrangedora.

Uma debandada preocupante

Zhao não foi o único. Outros nomes de peso, como Ethan Knight e Avi Verma (ex-OpenAI), além de Rishabh Agarwal (ex-Google DeepMind), também abandonaram o barco em questão de meses.

E não são apenas os recém-chegados: mais de duas dezenas de veteranos da Meta pediram demissão nas últimas semanas.

O motivo? Um ambiente descrito como caótico, marcado por reestruturações constantes, já são quatro grandes mudanças em apenas meio ano.

Essa instabilidade, somada à pressão para alcançar concorrentes como OpenAI, Anthropic e Google, tem transformado o laboratório de IA da Meta em um lugar onde poucos querem permanecer.

Dinheiro compra talento, mas não cultura

Mark Zuckerberg já provou estar disposto a gastar fortunas para recuperar o tempo perdido após apostar todas as fichas no metaverso, enquanto a revolução da IA acontecia diante de seus olhos.

Foram bilhões investidos, incluindo a aquisição da Scale AI por US$ 15 bilhões, que trouxe Alexandr Wang para o cargo de Chief AI Officer.

Mas, segundo relatos, Wang tem se chocado com Zuckerberg e desagradado funcionários, reforçando a percepção de que a Meta sofre não apenas de problemas técnicos, mas também de liderança tóxica e falta de visão clara.

No fim das contas, a Meta pode ter o que muitos chamam de “código infinito de dinheiro”, mas não consegue comprar o que realmente importa: confiança, propósito e uma cultura saudável de inovação.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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