Por que o Telegram apagou o bot da Perplexity poucas horas após o lançamento

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Perplexity teria oferecido até US$ 350 milhões anuais para integrar seu assistente de IA ao Telegram.
  • A proposta incluía uma combinação de dinheiro e ações, cujo valor dobrou desde maio de 2025.
  • O chatbot oficial da Perplexity chegou a ser anunciado, mas foi rapidamente removido após falhas.

A disputa pelo espaço de inteligência artificial em plataformas de mensagens acaba de ganhar um novo capítulo interessante.

De acordo com informações divulgadas em um canal do Telegram especializado em tecnologia e economia digital, a Perplexity, conhecida por seu assistente de busca com IA conversacional, teria proposto um acordo de US$ 350 milhões por ano para integrar sua ferramenta diretamente ao Telegram.

A negociação, segundo fontes próximas ao caso, envolveria uma combinação de liquidez e participação acionária.

Curiosamente, a parte em ações teria dobrado de valor desde maio de 2025, o que reforça o peso estratégico que a Perplexity parece disposta a dar à sua expansão em plataformas sociais.

Ainda assim, o acordo nunca foi oficializado e nenhum motivo público foi divulgado para a desistência.


A tentativa frustrada de levar a Perplexity ao Telegram

Em 4 de novembro, Pavel Durov, fundador do Telegram, chegou a anunciar em seu canal oficial o lançamento de um chatbot da Perplexity, marcando potencialmente o início da integração.

Contudo, a empolgação durou pouco: a publicação foi deletada algumas horas depois, após o bot deixar de funcionar corretamente.

No momento, o bot ainda responde a perguntas simples, mas não executa comandos mais complexos. Mesmo com funcionalidades limitadas, já soma quase meio milhão de usuários e exibe status de verificação, o que indica ao menos uma tentativa de oficialização por parte da plataforma.


O cenário competitivo: Grok, Copilot e a corrida pelas conversas

A iniciativa da Perplexity não está sozinha na corrida pela integração com mensageiros.

O próprio Telegram já havia sinalizado colaboração com o Grok, modelo de IA desenvolvido pela equipe de Elon Musk, anunciado em maio com previsão de estreia durante o verão do hemisfério norte. No entanto, o bot @GrokAI segue inativo até agora.

Enquanto isso, outro nome já ocupa espaço formal dentro do Telegram: o Copilot, que conta com cerca de 69 mil usuários ativos e segue funcionando normalmente.

Além dos bots, há ainda um recurso em desenvolvimento pelo Telegram que chama atenção: uma função que permitiria aos chatbots exibir respostas gradualmente, para simular a fluidez natural de uma conversa humana, algo que pode mudar completamente a experiência de interação com IA dentro dos chats.


O que tudo isso revela

No fundo, essa sequência de tentativas e reviravoltas mostra que o mercado de IA integrada a plataformas de comunicação está prestes a se consolidar e players como Perplexity, OpenAI, e até o próprio Musk com o Grok querem um assento de destaque nessa mesa.

A questão é: quem conseguirá entregar uma experiência convincente o suficiente para transformar o simples ato de conversar online em uma interação realmente inteligente?

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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