Pesquisadores chineses revelam sistema de IA inspirado no cérebro

Renê Fraga
4 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • Um novo caminho além dos Transformers: Pesquisadores chineses criaram o SpikingBrain-1.0, um modelo de IA inspirado no funcionamento dos neurônios do cérebro humano.
  • Eficiência energética sem precedentes: O modelo alcança resultados comparáveis aos grandes modelos atuais usando apenas 2% dos dados de pré-treinamento.
  • Avanço rumo ao hardware neuromórfico: Essa abordagem pode inspirar a criação de chips de próxima geração, com menor consumo de energia e desempenho sob medida para sequências complexas.

Uma IA que pensa como o cérebro humano

Enquanto quase todo o mundo da inteligência artificial se concentra em arquiteturas Transformers, como as que dão vida ao ChatGPT, um grupo de cientistas chineses decidiu seguir outro caminho: recriar, digitalmente, as sinapses e neurônios que nos tornam humanos.

Foi assim que nasceu o SpikingBrain-1.0, um modelo de larga escala desenvolvido pelo Instituto de Automação da Academia Chinesa de Ciências.

Diferente das IAs tradicionais, o sistema não depende de enormes conjuntos de dados nem de um poder de computação gigantesco.

Em vez disso, busca inteligência através do disparo de “neurônios digitais”, projetados para funcionar como os neurônios biológicos, que se ativam apenas quando necessário.


Eficiência impressionante com poucos dados

A comparação é quase chocante: enquanto grandes modelos de linguagem demandam milhares de gigabytes em dados para atingir bons resultados, o SpikingBrain-1.0 obteve desempenho semelhante usando apenas 2% desse volume.

E não é só isso. Durante a inferência (o momento em que o modelo gera respostas), o SpikingBrain mostrou um ganho de velocidade de 26,5 vezes em relação aos Transformers na tarefa de gerar tokens iniciais em contextos com até 1 milhão de tokens.

Esse avanço pode transformar áreas que necessitam de análise de sequências longuíssimas, como documentos jurídicos e médicos, pesquisas de física de partículas de alta energia e até o estudo de DNA.

Para a comunidade de tecnologia, isso não significa apenas eficiência, mas sim abrir a porta para uma inteligência artificial mais sustentável, menos dependente de servidores monumentais e gastos astronômicos de energia.


Do laboratório ao chip: rumo a uma nova geração de hardware

O impacto não se limita ao software. Os pesquisadores já estão de olho no hardware neuromórfico: circuitos eletrônicos que imitam diretamente a forma como o cérebro humano processa informação.

No ano passado, em parceria com colegas suíços, o mesmo instituto apresentou o chip Speck, um protótipo com consumo de apenas 0,42 milliwatts em repouso, praticamente zero quando não está ativo.

Para efeito de comparação, o cérebro humano inteiro, capaz de processar bilhões de sinais a cada segundo, consome apenas 20 watts. Isso é dezenas de vezes mais eficiente do que qualquer data center de IA atual.

Portanto, o SpikingBrain-1.0 não é apenas “mais uma IA”. Ele é um primeiro passo em direção a um futuro em que poderemos ter sistemas tão poderosos quanto os grandes modelos de hoje, mas operando com uma fração da energia e, talvez, dentro de chips inspirados diretamente em nossa biologia.


🔓 O modelo já foi aberto ao público. Os cientistas lançaram uma página de teste e publicaram um relatório técnico bilíngue validado pela indústria.

Como disse Xu Bo, diretor do Instituto:

“Esse grande modelo abre um caminho técnico não-Transformer para a nova geração da IA. Ele pode inspirar o design dos próximos chips neuromórficos, com muito menos consumo de energia.”

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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