Perplexity se defende e diz que Cloudflare está bloqueando assistentes de IA legítimos

Renê Fraga
3 min de leitura

A Perplexity rebateu acusações feitas pela Cloudflare, alegando que seus assistentes de inteligência artificial estão sendo injustamente tratados como bots maliciosos.

Segundo a empresa, os bloqueios recentes feitos pela Cloudflare se baseiam em uma compreensão equivocada do funcionamento de suas ferramentas que, de acordo com a Perplexity, não se comportam como rastreadores convencionais da web, mas como agentes que atuam sob demanda, apenas quando um usuário faz uma pergunta específica.

IA sob demanda, não rastreamento em massa

Diferentemente dos tradicionais web crawlers, que varrem e indexam a internet de forma automatizada e constante, os assistentes da Perplexity operam apenas sob solicitação.

Quando alguém interage com a plataforma, por exemplo, pedindo uma lista atualizada de avaliações de restaurantes, o sistema busca e resume, em tempo real, as informações mais relevantes da web. Nada é armazenado ou indexado previamente.

A empresa reforça que não utiliza o conteúdo buscado para treinar seus modelos de IA, nem realiza coleta em larga escala.

Trata-se de uma abordagem centrada na intenção do usuário, similar, segundo eles, ao que o Google faz em situações específicas como verificação de sites ou leitura de páginas em voz alta.

Embora as comparações tenham limitações, a Perplexity acredita que o princípio é o mesmo: uma busca iniciada pelo usuário, e não uma atividade automática.

A crítica à infraestrutura da Cloudflare

A Perplexity também aproveitou a oportunidade para questionar a maneira como a Cloudflare lida com o tráfego de bots.

Para a startup de IA, a infraestrutura da Cloudflare está falhando ao não diferenciar tráfego malicioso de acessos legítimos iniciados por usuários reais.

O que, segundo eles, está prejudicando o funcionamento de serviços sérios e comprometidos com boas práticas na internet.

Ao tratar seus assistentes como rastreadores clandestinos, a Cloudflare estaria, na visão da Perplexity, criando um ambiente hostil à inovação.

A empresa acredita que essa postura revela uma desconexão com as novas formas de navegação na web, nas quais assistentes de IA estão cada vez mais presentes como intermediários entre o usuário e a informação.

Em tempos de IA, é preciso repensar regras

Esse embate revela um ponto de tensão importante: as regras da web, como o famoso robots.txt, criado para lidar com rastreadores tradicionais, podem não estar mais preparadas para lidar com os assistentes baseados em inteligência artificial.

A Perplexity defende que essas ferramentas, por serem acionadas diretamente por pessoas, não deveriam ser automaticamente barradas pelas mesmas restrições aplicadas a bots autônomos.

A discussão entre Cloudflare e Perplexity pode ser apenas o começo de uma conversa muito maior sobre o futuro da web.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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