Os 12 momentos que definiram a história da inteligência artificial

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques:

  • A IA passou por ciclos repetidos de entusiasmo extremo e forte decepção.
  • Avanços teóricos antigos só se tornaram viáveis décadas depois, com mais dados e poder computacional.
  • A popularização da IA começou quando o público finalmente pôde interagir diretamente com os modelos.

A inteligência artificial não surgiu de repente com chatbots modernos ou geradores de imagens. Ela é resultado de mais de sete décadas de avanços, frustrações, apostas ousadas e descobertas fundamentais.

A seguir, estão os 12 momentos mais importantes da história da IA, apresentados em ordem cronológica, que ajudam a entender como chegamos ao cenário atual.


As origens da inteligência artificial

1. 1950 – O artigo que perguntou se máquinas podem pensar

Em 1950, Alan Turing publica o artigo Computing Machinery and Intelligence.

Em vez de tentar definir conceitos abstratos como “pensar” ou “inteligência”, ele propõe um experimento prático: se uma máquina conseguir enganar um humano em uma conversa, ela pode ser considerada inteligente sob critérios funcionais.

Essa ideia, conhecida como Teste de Turing, se tornou um marco filosófico e técnico, influenciando gerações de pesquisadores.

2. 1956 – O nascimento oficial da IA em Dartmouth

No Dartmouth Summer Research Project, um grupo de cientistas se reúne para discutir como máquinas poderiam simular aprendizado e raciocínio humanos.

Pela primeira vez, o termo “inteligência artificial” é usado formalmente. Esse evento transforma ideias dispersas em um campo científico estruturado, com objetivos claros e financiamento direcionado.

3. 1966 – ELIZA mostra o poder da linguagem

O programa ELIZA, criado no MIT, simulava um psicoterapeuta ao reformular frases dos usuários em forma de perguntas. Embora fosse tecnicamente simples, o impacto foi enorme.

Muitas pessoas acreditaram estar conversando com algo inteligente, revelando como a linguagem tem um papel central na percepção de inteligência.


Expectativas altas e grandes frustrações

4. 1974 a 1980 – O primeiro inverno da inteligência artificial

Após promessas ousadas feitas nas décadas anteriores, os sistemas de IA não conseguiram cumprir o que foi anunciado.

Relatórios críticos levaram governos a cortar drasticamente os investimentos. Esse período de descrédito e escassez de recursos ficou conhecido como o primeiro inverno da IA.

5. 1980 – O auge dos sistemas especialistas

A IA volta a ganhar espaço com os sistemas especialistas, programas baseados em regras criadas por especialistas humanos. Eles foram usados em empresas para diagnósticos, planejamento e decisões técnicas.

Apesar do sucesso inicial e de economias reais, esses sistemas eram caros, difíceis de manter e pouco flexíveis.

6. 1986 – A base do deep learning moderno

Enquanto os sistemas baseados em regras enfrentavam limites, pesquisadores retomavam redes neurais inspiradas no cérebro humano.

Em 1986, Geoffrey Hinton ajuda a popularizar o algoritmo de retropropagação, permitindo que redes neurais aprendessem com dados. Esse avanço se tornaria o alicerce da IA moderna.

7. 1987 a 1993 – O segundo inverno da IA

Os sistemas especialistas não escalaram como esperado e o custo do hardware especializado se tornou inviável. Empresas fecharam e investimentos desapareceram novamente.

A IA entrou em seu segundo inverno, sobrevivendo principalmente dentro da academia.


A retomada e a virada tecnológica

8. 1997 – A vitória do Deep Blue no xadrez

O supercomputador Deep Blue derrota o campeão mundial Garry Kasparov em uma série oficial.

O feito teve enorme impacto simbólico, mostrando que máquinas podiam superar humanos em tarefas complexas, estratégicas e tradicionalmente associadas à inteligência.

9. 2012 – AlexNet muda tudo

O modelo AlexNet vence uma competição de visão computacional com larga vantagem. O diferencial foi o uso de redes neurais profundas treinadas com grandes volumes de dados e executadas em GPUs.

Esse momento marca o início da explosão prática do deep learning.

10. 2016 – AlphaGo surpreende o mundo

O sistema AlphaGo, da Google DeepMind, derrota Lee Sedol, um dos maiores jogadores de Go da história.

O resultado choca especialistas, pois o jogo é extremamente complexo. A vitória mostra o poder do aprendizado por reforço e de modelos que aprendem sozinhos.


A era da inteligência artificial moderna

11. 2017 – A criação da arquitetura transformer

Pesquisadores do Google apresentam a arquitetura transformer, capaz de processar grandes volumes de texto entendendo contexto e relações de longo alcance.

Esse avanço resolve gargalos antigos no processamento de linguagem natural e se torna a base dos modelos mais poderosos da atualidade.

12. 2022 – O ChatGPT leva a IA ao grande público

A OpenAI lança o ChatGPT, permitindo que qualquer pessoa converse com um modelo de linguagem avançado.

A ferramenta viraliza, alcança milhões de usuários em poucos dias e marca o início da popularização em massa da IA, com impactos profundos na educação, no trabalho e na sociedade.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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