OpenAI testa anúncios no ChatGPT após CEO classificar ideia como distópica

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A OpenAI já criou mockups internos que mostram como anúncios podem aparecer no ChatGPT.
  • A iniciativa contrasta com declarações anteriores do CEO Sam Altman, que chamou publicidade personalizada em IA de distópica.
  • O plano busca monetizar a base de usuários gratuitos e financiar investimentos bilionários em infraestrutura.

A OpenAI está dando passos concretos para levar publicidade ao ChatGPT.

Segundo informações reveladas pelo site The Information (via The-Decoder), a empresa desenvolveu mockups internos que simulam anúncios integrados às respostas do chatbot ou exibidos em barras laterais da interface.

A movimentação marca uma mudança significativa no discurso público da companhia, já que Sam Altman havia afirmado, em 2024, que misturar anúncios com inteligência artificial seria algo profundamente perturbador.

Atualmente, o ChatGPT soma cerca de 800 milhões de usuários semanais, mas apenas uma pequena parcela paga por planos de assinatura.

A aposta em anúncios surge como alternativa para monetizar a versão gratuita e sustentar um ambicioso plano de investimentos que pode ultrapassar US$ 100 bilhões até o fim da década.

Como os anúncios podem aparecer no ChatGPT

De acordo com pessoas próximas às discussões internas, a OpenAI avalia adaptar seus modelos de IA para destacar conteúdos patrocinados quando as perguntas dos usuários forem relevantes.

Em um dos exemplos citados, uma busca por recomendações de rímel poderia exibir um produto patrocinado da Sephora.

Os protótipos mostram anúncios claramente identificados como patrocinados, posicionados ao lado das respostas principais.

Outra possibilidade em estudo é exibir publicidade apenas após sinais de interesse mais fortes, como quando o usuário clica em um destino turístico e passa a ver pacotes de viagem pagos.

Publicidade personalizada e o dilema da memória

Um dos pontos mais sensíveis envolve a função de memória do ChatGPT. Internamente, discute-se se o histórico de conversas poderia ser usado para personalizar anúncios, algo que o próprio Altman já descreveu publicamente como um caminho distópico.

Mesmo assim, a ideia segue sendo avaliada, justamente por seu potencial de aumentar a eficácia comercial da plataforma.

Essa abordagem levanta preocupações sobre privacidade e transparência, temas que acompanham de perto qualquer avanço na monetização de sistemas baseados em inteligência artificial.

Concorrência, custos e pressão financeira

O avanço dos planos de publicidade não ocorre sem obstáculos. No início de dezembro, Sam Altman decretou um “código vermelho” interno para priorizar melhorias de qualidade no ChatGPT diante da concorrência crescente do Google Gemini.

Segundo reportagens do The Wall Street Journal, projetos ligados a anúncios e agentes de compras foram temporariamente desacelerados.

Ainda assim, sinais de que os preparativos continuam surgiram no aplicativo Android do ChatGPT, onde códigos recentes fazem referência a recursos como anúncios de busca e carrosséis patrocinados.

Com gastos bilionários em infraestrutura e custos projetados para crescer nos próximos anos, a OpenAI parece cada vez mais disposta a transformar anúncios em uma peça central do seu modelo de negócios.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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