OpenAI redefine relação com Microsoft e avança para modelo totalmente lucrativo

Renê Fraga
5 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • OpenAI deve reduzir de 20% para 8% a fatia de receita repassada à Microsoft e parceiros comerciais.
  • A mudança pode representar mais de US$ 50 bilhões adicionais em receita retida pela própria OpenAI até o fim da década.
  • O novo acordo abre caminho para que a empresa se estruture como for-profit, sem abandonar suas raízes ligadas à missão sem fins lucrativos.

Nos últimos anos, a relação entre OpenAI e Microsoft se consolidou como uma das mais importantes do ecossistema de tecnologia.

Mas 2025 marca um novo capítulo dessa parceria: segundo informações apuradas pelo The Information e divulgadas pela Reuters, a OpenAI está negociando para reduzir significativamente a porcentagem de receita que compartilha com sua principal parceira de infraestrutura.

Atualmente, a fatia que vai para a Microsoft gira em torno de 20%, mas a expectativa é que, até o final da década, esse número caia para apenas 8%, liberando uma diferença colossal de bilhões de dólares para a própria OpenAI reinvestir em inovação.


O impacto financeiro: um salto de US$ 50 bilhões

O que parece ser apenas uma porcentagem esconde uma transformação financeira enorme.

A diferença entre os 20% atuais e os 8% projetados pode liberar mais de US$ 50 bilhões em receita acumulada para a OpenAI.

Esse dinheiro teria potencial para acelerar pesquisas, ampliar equipes dedicadas à segurança da IA e criar novos produtos disruptivos, algo que poderia redefinir não só o mercado, mas também a forma como as pessoas interagem com inteligência artificial no dia a dia.

Ainda não está claro se esse valor é calculado como um total acumulado ao longo dos anos ou se poderia ser analisado como receita anual.

Mas, de qualquer forma, os números mostram o peso estratégico dessa renegociação.


A negociação por infraestrutura: servidores da Microsoft no jogo

Outro ponto em pauta é quanto a OpenAI pagará para continuar usando os servidores da Microsoft.

A parceria entre as empresas não se resume ao lado financeiro; grande parte da capacidade de processamento que mantém modelos como o GPT roda em data centers da gigante de Redmond.

Com a redefinição do contrato, a discussão passa a incluir não só a fatia de participação sobre a receita, mas também condições mais flexíveis para acesso a essa infraestrutura crítica, essencial para manter a escalabilidade e confiabilidade da IA em escala global.


Reestruturação: de “nonprofit” a “empresa lucrativa”

Um detalhe que chama atenção no anúncio é que a Microsoft e a OpenAI já assinaram um acordo não vinculante que abre espaço para a empresa se transformar.

Até agora, a OpenAI operava num modelo híbrido: braço sem fins lucrativos que controla uma operação com fins de lucro limitado.

Mas a nova fase tende a reposicionar a companhia claramente como for-profit.

Ainda assim, há um compromisso público: segundo Bret Taylor, presidente do conselho da entidade sem fins lucrativos da OpenAI, essa estrutura continuará recebendo um montante expressivo, mais de US$ 100 bilhões ao longo do tempo, ligados a uma avaliação buscada de US$ 500 bilhões no mercado privado.

O que faria da organização uma das entidades sem fins lucrativos mais bem financiadas do planeta.


O que isso significa para o futuro da IA

A renegociação marca um divisor de águas para a indústria. A OpenAI passa a ter mais poder de decisão sobre seus próprios recursos, sem abrir mão do fornecimento tecnológico da Microsoft.

A parceria se transforma, mas não se rompe, na verdade, pode indicar uma nova fase, onde as duas empresas alinham seus interesses de longo prazo.

Para quem acompanha o setor, a mensagem é clara: a disputa por capital, infraestrutura e controle será tão decisiva quanto os avanços tecnológicos em si.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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