Principais destaques:
- A OpenAI alerta: “programar por vibe” pode ser um risco real para empresas.
- Quase metade do código gerado por IA contém falhas de segurança, segundo novos estudos.
- A tendência agora é apostar em IAs estruturadas e seguras, que trabalhem como verdadeiros colegas de equipe e não como caixas-pretas imprevisíveis.
A equipe de Experiência do Desenvolvedor da OpenAI decidiu se posicionar de forma clara contra o chamado “vibe coding”, uma tendência que se espalhou entre programadores e entusiastas de IA.
O termo, popularizado por Andrej Karpathy, ex-cofundador da própria OpenAI, em fevereiro de 2025, descreve a prática de pedir à inteligência artificial que gere código a partir de prompts casuais, sem uma revisão técnica aprofundada.
O problema? Segundo Katia Gil Guzman, uma das fundadoras da equipe de Experiência do Desenvolvedor da OpenAI, essa estratégia é convidativa, mas perigosa.
Em entrevista ao podcast Ctrl Alt Lead, ela destacou que enquanto esse tipo de abordagem pode funcionar para projetos pessoais e experimentais, ambientes corporativos exigem muito mais estrutura, governança e rastreabilidade.
“Equipes empresariais precisam de sistemas de IA que se comportem como colegas de equipe, não como caixas-pretas”, reforçou Guzman.
Ela destaca que empresas devem buscar IAs capazes de gerar pull requests bem documentados, respeitar padrões de projeto e seguir guidelines de segurança.
Em outras palavras: o improviso pode ser criativo, mas a imprevisibilidade é inimiga da confiança corporativa.
Código gerado por IA: vulnerabilidade à vista
O alerta da OpenAI vem em um momento sensível. Um estudo recente da Veracode, publicado em novembro de 2025, revelou que cerca de 45% do código produzido por IA apresenta algum tipo de vulnerabilidade de segurança, incluindo falhas críticas como cross-site scripting, injeção SQL e autenticação frágil.
A Kaspersky também confirmou a tendência: muitos aplicativos criados por IA contêm chaves de API expostas, autenticação feita no cliente e falta de validação de entrada, abrindo brechas para ataques.
Esse cenário reforça a necessidade de adotar práticas seguras de engenharia assistida por IA, nas quais os modelos não apenas “geram” código, mas o fazem seguindo contextos organizacionais, regras de compliance e auditoria.
O que era visto como uma “febre criativa” entre desenvolvedores está se tornando um sinal de alerta na segurança corporativa global.
Menos hype, mais inteligência estruturada
Além do “vibe coding”, Guzman aproveitou o momento para jogar luz sobre outro tema que domina conferências de tecnologia: os sistemas multiagente.
Ela argumenta que, embora essas arquiteturas complexas possam ser úteis em certos contextos, muitas empresas não precisam de tamanha sofisticação para alcançar produtividade.
“Um único agente bem equipado, com contexto e proteções adequadas, já é suficiente para lidar com a maioria das cargas de trabalho do dia a dia”, explicou.
Essa visão vai na contramão do hype das soluções multiagente, muitas vezes promovidas como essenciais à adoção corporativa de IA e propõe um caminho mais enxuto, confiável e pragmático.
No horizonte, Guzman prevê interfaces generativas mais humanas e contextuais, capazes de se adaptar aos usuários.
Ela cita o GPT-5 Codex, lançado pela OpenAI em setembro de 2025, como exemplo dessa nova direção: um sistema que opera em ambientes sandbox, tem acesso à rede desabilitado por padrão e inclui camadas robustas de segurança integradas, tudo pensado para uso empresarial.
O futuro da programação com IA: confiança acima de tudo
O recado da OpenAI é claro: a era da improvisação está com os dias contados.
À medida que as inteligências artificiais se tornam parte fundamental da infraestrutura de software das empresas, a ênfase muda de criatividade para segurança, transparência e colaboração real entre humanos e máquinas.
No momento em que o “vibe coding” vira palavra do ano pelo Collins Dictionary, a OpenAI lembra que o verdadeiro futuro da IA não está em seguir tendências, mas em construir sistemas que inspiram confiança, linha por linha de código.
