OpenAI não descarta anúncios no ChatGPT

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • OpenAI considera incluir anúncios no ChatGPT, mas apenas se for de forma “cuidadosa e respeitosa” com o usuário.
  • Empresa já ultrapassou 700 milhões de usuários e 20 milhões de assinantes pagos, mas ainda não é lucrativa.
  • Além de anúncios, OpenAI estuda integrar compras diretas dentro do ChatGPT, sem comprometer a imparcialidade das recomendações.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, está explorando novas formas de gerar receita e uma delas pode ser a inclusão de anúncios na plataforma.

Nick Turley, líder do ChatGPT, afirmou em entrevista ao podcast Decoder que não descarta a ideia, mas que qualquer implementação precisaria ser feita com extremo cuidado para não prejudicar a experiência do usuário.

“É bom manter as opções abertas”, disse Turley. “Talvez o ChatGPT não seja um produto com cara de anúncios, mas isso não significa que não possamos criar outros produtos no futuro que tenham esse modelo.”

Crescimento impressionante, mas contas no vermelho

Segundo a Bloomberg, a OpenAI deve faturar US$ 12,7 bilhões em 2025 apenas com assinaturas, mais que o triplo dos US$ 3,7 bilhões de 2024.

Apesar do crescimento acelerado, a empresa ainda gasta mais do que arrecada e não espera ter fluxo de caixa positivo antes de 2029.

O ChatGPT já ultrapassou 700 milhões de usuários no total, sendo 20 milhões assinantes pagos. Para Turley, o fato de a maioria dos usuários não pagar não é um problema, mas sim uma oportunidade: um funil para criar ofertas diferenciadas para quem estiver disposto a investir mais na experiência.

Anúncios: última opção ou inevitável?

O CEO da OpenAI, Sam Altman, já expressou sentimentos mistos sobre o tema.

Em 2024, durante um bate-papo na Harvard Business School, ele disse que misturar anúncios com IA é “particularmente perturbador” e que seria uma “última opção” para o ChatGPT.

No entanto, em junho de 2025, no primeiro episódio do podcast da OpenAI, Altman suavizou o tom, afirmando que “não é totalmente contra” a ideia.

Enquanto isso, concorrentes como a xAI, de Elon Musk, já planejam incluir anúncios diretamente nas respostas do seu chatbot, o Grok.

Compras dentro do ChatGPT: o próximo passo?

Além dos anúncios, a OpenAI está testando um projeto chamado “Commerce in ChatGPT”, que permitiria ao usuário comprar produtos diretamente a partir de recomendações feitas pelo chatbot.

Turley garante que a prioridade é manter a imparcialidade: as sugestões não seriam influenciadas por comissões ou acordos comerciais.

“A mágica do ChatGPT é escolher produtos de forma independente, sem interferência. Isso é algo que queremos preservar”, reforçou.


💡 O que isso significa para o futuro? A OpenAI está em um momento decisivo: precisa encontrar novas fontes de receita para sustentar seu crescimento, mas sem comprometer a confiança que construiu com milhões de usuários.

Seja com anúncios, compras integradas ou novos produtos, a forma como a empresa equilibrar monetização e experiência do usuário pode definir o rumo da IA nos próximos anos.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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