OpenAI monta laboratório secreto de robótica para treinar futuros humanoides

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A OpenAI criou discretamente um laboratório de robótica em São Francisco focado em tarefas domésticas.
  • Cerca de 100 operadores humanos coletam dados continuamente para treinar braços robóticos.
  • A estratégia aposta em baixo custo e escala, diferente de concorrentes como a Tesla.

A OpenAI deu um passo silencioso, mas estratégico, rumo ao mundo da robótica física.

A empresa montou um laboratório dedicado em São Francisco para treinar sistemas robóticos com foco em tarefas do cotidiano, segundo reportagem publicada nesta semana pela Business Insider.

O movimento marca uma retomada clara da área, abandonada pela companhia em 2020, e sinaliza ambições mais profundas no desenvolvimento de robôs humanoides.

Desde fevereiro de 2025, o espaço mais que quadruplicou de tamanho e já opera em três turnos contínuos. A OpenAI também planeja abrir um segundo laboratório em Richmond, na Califórnia, reforçando a aposta em escala e coleta massiva de dados.

Uma estratégia diferente para ensinar robôs

Ao contrário de empresas que usam robôs humanoides completos e trajes caros de captura de movimento, a OpenAI escolheu um caminho mais pragmático.

No laboratório, operadores humanos utilizam controladores impressos em 3D, conhecidos como GELLOs, para teleoperar dois braços robóticos Franka equipados com pinças.

Cada movimento é registrado por câmeras que filmam tanto o operador quanto o robô. No início, as tarefas eram simples, como colocar um patinho de borracha dentro de um copo.

Com o tempo, os desafios evoluíram para ações mais complexas, como colocar pão na torradeira e dobrar roupas.

Segundo especialistas, essa abordagem facilita a tradução direta de movimentos humanos para o corpo do robô, além de reduzir custos de forma significativa.

A corrida por dados na robótica de IA

A iniciativa reflete uma tendência mais ampla no setor: a crença de que grandes volumes de dados de teleoperação podem gerar um salto de desempenho semelhante ao que ocorreu com modelos de linguagem.

Um dos pesquisadores por trás de estudos da Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre coleta de dados de baixo custo entrou na OpenAI em 2024 para trabalhar no que a empresa chama internamente de “cérebro robótico”.

Hoje, pelo menos uma dúzia de engenheiros atua diretamente no projeto, e a pressão por produtividade aumentou. Nos últimos meses, as metas de coleta de dados quase dobraram, mostrando o quanto a empresa aposta nessa frente.

Humanoides ainda são promessa, não produto

Embora exista um robô humanoide no laboratório, descrito por fontes como “parecido com algo da iRobot”, ele não é o foco atual. A prioridade segue sendo o treinamento intensivo de braços robóticos antes de avançar para corpos completos.

A OpenAI já investiu e se associou a startups do setor, como a Figure, 1X e Physical Intelligence. A parceria com a Figure, iniciada em 2024, terminou em fevereiro de 2025, quando a startup decidiu seguir com desenvolvimento próprio de IA.

Especialistas alertam que ainda não está comprovado se a simples escala de dados levará a um “momento ChatGPT” da robótica. Mesmo assim, o laboratório discreto da OpenAI mostra que a empresa está disposta a apostar tempo, pessoas e recursos para tentar fazer isso acontecer.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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