OpenAI inicia testes de anúncios no ChatGPT e muda estratégia para usuários gratuitos

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • A OpenAI começou a exibir anúncios no ChatGPT para usuários gratuitos e do plano Go nos Estados Unidos
  • A empresa afirma que a publicidade não interfere nas respostas da IA nem no uso de dados das conversas
  • Planos pagos continuam sem anúncios, enquanto a rivalidade com a Anthropic ganha novos capítulos

A OpenAI deu um passo importante em sua estratégia de monetização ao iniciar testes de anúncios dentro do ChatGPT.

A novidade começou a valer para usuários adultos logados nos Estados Unidos que utilizam o plano gratuito ou o plano Go, que custa US$ 8 por mês. É a primeira vez que a empresa aposta oficialmente em conteúdo patrocinado dentro de seu chatbot mais popular.

Os anúncios aparecem na parte inferior das respostas, com identificação clara e separação visual do conteúdo gerado pela inteligência artificial.

Segundo a OpenAI, não há qualquer influência dos anunciantes sobre as respostas fornecidas pelo modelo, nem compartilhamento das conversas com marcas ou parceiros comerciais.

Como os anúncios aparecem no ChatGPT

De acordo com a empresa, os anúncios exibidos são de produtos e serviços patrocinados considerados relevantes para o contexto da conversa do usuário.

Ainda assim, a OpenAI afirma que os usuários mantêm controle sobre a personalização, podendo desativar esse tipo de segmentação e limpar os dados usados para fins publicitários.

Mesmo com a personalização desativada, anúncios genéricos continuam sendo exibidos. A única forma de não ver publicidade é migrar para planos superiores, como Plus, Pro, Business, Enterprise ou Education.

Usuários menores de 18 anos também não recebem anúncios, assim como conversas relacionadas a temas sensíveis, incluindo saúde, bem-estar mental e política.

Rivalidade com a Anthropic esquenta

O anúncio da OpenAI acontece em um momento de tensão crescente com a Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude. Um dia antes do início dos testes, a Anthropic exibiu comerciais durante o Super Bowl LX, ironizando a ideia de anúncios em assistentes de IA e prometendo manter o Claude livre de publicidade.

A resposta veio rapidamente. O CEO da OpenAI, Sam Altman, classificou os comerciais como desonestos e afirmou que a empresa nunca exibiria anúncios da forma caricata apresentada pela concorrente.

Altman defendeu a publicidade como uma alternativa necessária para garantir acesso gratuito à inteligência artificial em escala global, especialmente para usuários que não podem pagar assinaturas.

O papel da publicidade na estratégia da OpenAI

Internamente, a OpenAI vê os anúncios como apenas uma parte de sua receita futura. Fontes próximas à empresa indicam que a expectativa é que a publicidade represente menos da metade do faturamento no longo prazo.

Para participar do teste inicial, anunciantes precisaram assumir compromissos mínimos em torno de US$ 200 mil, com algumas marcas iniciando campanhas já no começo de fevereiro.

A movimentação reforça a busca da OpenAI por novas fontes de receita diante do crescimento acelerado dos custos de infraestrutura.

Com despesas projetadas em centenas de bilhões de dólares nos próximos anos, a empresa tenta reduzir a dependência exclusiva de assinaturas e do licenciamento de APIs, ao mesmo tempo em que amplia o acesso gratuito ao ChatGPT.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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