OpenAI corrige o “vício do travessão” no ChatGPT

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • OpenAI finalmente resolveu o famoso “problema do travessão” no ChatGPT.
  • Agora, os usuários podem pedir explicitamente para o modelo não usar o travessão (—) em seus textos.
  • A atualização reforça o compromisso da empresa em dar mais controle e personalização à escrita gerada por IA.

A comunidade de entusiastas de inteligência artificial tem um novo motivo para comemorar.

Depois de meses de críticas, piadas e reclamações, a OpenAI anunciou que corrigiu o curioso “problema do travessão” no ChatGPT, aquela mania do modelo de incluir o símbolo “—” em praticamente qualquer frase.

Essa pequena questão se tornou um verdadeiro marco cultural: o travessão passou a ser um indício quase instantâneo de texto escrito por IA. E isso não passou despercebido — nem entre estudantes, nem em empresas, nem nas redes sociais.


O travessão que virou marca registrada da IA

Durante meses, o traço elegante (e às vezes irritante) invadiu textos de todos os tipos: trabalhos acadêmicos, posts no LinkedIn, e-mails profissionais e até anúncios publicitários.

Ele acabou sendo apelidado de “ChatGPT hyphen”, como se fosse a assinatura involuntária de uma máquina tentando soar humana.

Muitos escritores e jornalistas criticaram o excesso de travessões, dizendo que ele despersonalizava o texto.

Por outro lado, nem todos concordavam: alguns defendiam o uso, alegando que o sinal fazia parte do seu estilo muito antes das IAs generativas se popularizarem.

Mas uma coisa era clara, não importava quantas vezes você pedisse, o ChatGPT simplesmente não conseguia parar de usá-los.


O “pequeno, mas feliz conserto”

Foi só agora, segundo o CEO da OpenAI, Sam Altman, que a empresa conseguiu resolver o mistério. Em uma publicação no X (antigo Twitter), Altman anunciou a correção com bom humor:

“Se você disser ao ChatGPT para não usar travessões nas suas instruções personalizadas, finalmente ele faz o que devia fazer. Uma vitória pequena, mas feliz.”

A atualização permite que os usuários configurem o ChatGPT para evitar o travessão por meio das “Custom Instructions”, as configurações de personalização do chatbot.

O que significa que o modelo não vai eliminar completamente o símbolo por padrão, mas quem desejar terá mais controle sobre a frequência e o estilo do texto gerado.


Mais do que pontuação: uma mudança de filosofia

O ajuste pode parecer pequeno, mas tem um peso simbólico enorme.

Ele mostra que a OpenAI está ouvindo os detalhes, não apenas grandes questões técnicas, mas também os toques sutis que diferenciam uma escrita humana de uma produzida por IA.

Em uma era em que distinguir textos de humanos e máquinas se torna cada vez mais difícil, até um simples travessão pode levantar discussões sobre autenticidade, estilo e identidade digital.

Para muitos, essa é justamente a beleza das ferramentas de IA: elas estão aprendendo a se moldar à nossa maneira de escrever e não o contrário.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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