OpenAI confirma testes de anúncios no ChatGPT e muda discurso sobre publicidade

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • A OpenAI vai testar anúncios no ChatGPT pela primeira vez, focando usuários do plano gratuito e do novo ChatGPT Go.
  • A empresa promete preservar a privacidade, sem vender dados e sem interferência dos anúncios nas respostas.
  • A decisão marca uma virada estratégica em meio a fortes pressões financeiras e avanço da concorrência.

A OpenAI anunciou que começará, nas próximas semanas, a testar anúncios dentro do ChatGPT nos Estados Unidos.

É a primeira vez que a empresa adota publicidade no produto que se tornou um dos principais símbolos da inteligência artificial generativa.

Os anúncios aparecerão apenas para usuários do plano gratuito e do recém-lançado ChatGPT Go, que custa cerca de 8 dólares por mês.

Segundo a empresa, o formato será discreto. As mensagens patrocinadas surgirão no final das respostas quando houver relevância com o tema da conversa e serão claramente identificadas como anúncios.

Usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise não verão publicidade.

Como os anúncios vão funcionar no ChatGPT

De acordo com a OpenAI, os anúncios não terão qualquer influência sobre o conteúdo das respostas geradas pelo ChatGPT.

A companhia afirma que o modelo não será treinado para favorecer marcas ou produtos e que as conversas não serão compartilhadas com anunciantes.

Os usuários também terão controle sobre a personalização dos anúncios, com a opção de desativá-la totalmente.

Além disso, a publicidade não será exibida para menores de 18 anos nem associada a temas sensíveis como saúde, saúde mental ou política.

A empresa reforça que não otimiza o produto para aumentar tempo de uso, tentando se diferenciar de redes sociais tradicionais.

Uma virada no discurso de Sam Altman

A decisão chama atenção por contrastar com falas anteriores do CEO da OpenAI, Sam Altman. Em 2024, ele afirmou que publicidade seria um último recurso e chegou a dizer que anúncios combinados com IA eram algo perturbador.

Esse tom começou a mudar ao longo de 2025. Em entrevistas e podcasts, Altman passou a reconhecer que não era totalmente contra anúncios e chegou a citar experiências positivas em plataformas como o Instagram.

A CFO Sarah Friar também já havia indicado, no fim de 2024, que a empresa estava aberta a explorar novas fontes de receita, mesmo sem planos imediatos na época.

Pressão financeira e avanço da concorrência

O movimento ocorre em um contexto financeiro desafiador. Estimativas apontam que a OpenAI pode queimar cerca de 17 bilhões de dólares em 2026, quase o dobro do ano anterior, e não deve atingir fluxo de caixa positivo antes do fim da década.

Internamente, a empresa projeta que a publicidade pode gerar cerca de 1 bilhão de dólares já a partir de 2026, com potencial de crescimento expressivo até 2029. Hoje, cerca de 95% dos usuários do ChatGPT utilizam o serviço sem gerar receita direta.

Ao mesmo tempo, a concorrência se intensifica. Produtos rivais como o Gemini, do Google, vêm ganhando espaço, enquanto a participação do ChatGPT no mercado global recua.

O anúncio dos testes de publicidade coincidiu com a expansão global do ChatGPT Go, agora disponível em mais de 170 países com preços ajustados por região.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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