Principais destaques:
- A OpenAI afirma que seu primeiro hardware para consumidores segue no cronograma para chegar ao mercado no segundo semestre de 2026.
- O dispositivo deve ser compacto, totalmente baseado em voz e sem tela, pensado como um novo tipo de interface com a IA.
- O projeto faz parte de uma estratégia maior de levar manufatura e infraestrutura de IA para os Estados Unidos.
A OpenAI deu mais um sinal claro de que quer ir além do software.
Durante o evento Axios House Davos, o diretor global de assuntos corporativos da empresa, Chris Lehane, afirmou que o primeiro dispositivo físico da companhia está “no caminho certo” para ser lançado no fim de 2026.
A declaração marca um momento simbólico para a empresa, que passa a disputar espaço também no mundo dos produtos de consumo.
A movimentação acontece enquanto a OpenAI estrutura uma estratégia agressiva de manufatura doméstica. Recentemente, a empresa abriu uma solicitação de propostas com duração de dez anos para encontrar parceiros nos Estados Unidos capazes de produzir desde componentes eletrônicos até infraestrutura para data centers e robótica.
Da IA em software ao hardware físico
Esse novo dispositivo é o primeiro fruto concreto da aquisição bilionária da io Products, startup de hardware fundada por Jony Ive e Tang Tan. Tan, inclusive, hoje ocupa o cargo de diretor de hardware da OpenAI, liderando a transição da empresa para o universo físico.
Pessoas próximas ao projeto descrevem o produto como uma espécie de “assistente de voz em formato de bolso”. Ele não teria tela, funcionaria de forma totalmente baseada em áudio e seria capaz de entender o contexto do ambiente ao redor. Para o CEO Sam Altman, a ambição é criar um “terceiro dispositivo essencial”, que complemente laptops e smartphones no dia a dia das pessoas.
A visão de longo prazo vai além de um único produto. A OpenAI já fala abertamente em uma futura família de dispositivos, que pode incluir óculos inteligentes e outros formatos ainda não revelados.
Manufatura doméstica como pilar estratégico
O avanço no hardware está diretamente ligado ao esforço da OpenAI para fortalecer a cadeia de suprimentos nos EUA. O pedido de propostas divulgado em janeiro busca parceiros para produzir componentes de eletrônicos de consumo, peças para robótica e equipamentos críticos para data centers, como sistemas de resfriamento e geração de energia.
Segundo Lehane, a inteligência artificial pode atuar como motor de uma nova fase de reindustrialização. Essa visão também se conecta ao projeto Stargate, iniciativa de infraestrutura da OpenAI que prevê até 10 gigawatts de capacidade computacional em data centers espalhados pelo país, em parceria com empresas como Oracle e SoftBank.
Obstáculos técnicos e ajustes no caminho
Apesar do discurso confiante, o desenvolvimento não está livre de desafios. Relatos indicam que a equipe ainda enfrenta dificuldades para refinar o modo de escuta sempre ativa do dispositivo. O objetivo é fazer com que ele intervenha apenas quando realmente for útil e saiba encerrar interações no momento certo, algo crucial para evitar frustração dos usuários.
Há também ajustes em curso na cadeia de fornecimento. A OpenAI teria recuado de acordos com a Luxshare por preocupações estratégicas, enquanto avalia alternativas como produção em instalações da Foxconn nos Estados Unidos. Ainda assim, o Vietnã segue como um possível local de montagem inicial.
Se conseguir superar esses desafios, a OpenAI pode inaugurar uma nova categoria de dispositivos centrados em IA conversacional, mudando novamente a forma como pessoas interagem com a tecnologia no cotidiano.







