OpenAI avalia implementar criptografia no ChatGPT

Renê Fraga
3 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • OpenAI estuda adicionar criptografia às conversas no ChatGPT, começando por chats temporários.
  • A medida surge em meio a debates sobre privacidade e decisões judiciais que obrigam a empresa a armazenar dados.
  • O desafio técnico é grande: diferente de mensageiros, a IA precisa acessar os dados para funcionar.

Durante um briefing recente, o CEO da OpenAI, Sam Altman, revelou que a empresa está seriamente considerando implementar criptografia nas conversas do ChatGPT.

A ideia inicial é aplicar a tecnologia em chats temporários, aqueles que não ficam salvos no histórico do usuário.

Altman destacou que muitas pessoas compartilham informações sensíveis com a IA, dados que, em outros contextos, estariam protegidos por sigilo profissional, como no caso de médicos ou advogados.

No entanto, esse tipo de proteção legal não se aplica às interações com o ChatGPT. Por isso, a criptografia surge como um caminho natural para reforçar a confiança dos usuários.

Apesar do compromisso declarado, ainda não há prazo definido para a implementação. A OpenAI preferiu não dar mais detalhes sobre os próximos passos.

O peso das decisões judiciais

Um ponto delicado nessa discussão é que, desde maio de 2025, a OpenAI está obrigada por decisão judicial a reter conversas temporárias e deletadas.

Essa ordem surgiu no contexto de um processo de violação de direitos autorais, e gerou forte reação de defensores da privacidade digital.

Ou seja, mesmo que a empresa queira avançar com a criptografia, há barreiras legais que podem limitar a forma como os dados são tratados.

Esse cenário coloca a OpenAI em uma posição complexa: equilibrar inovação tecnológica, exigências regulatórias e a confiança dos usuários.

O desafio técnico da criptografia em IA

Implementar criptografia de ponta a ponta em um chatbot é muito mais complicado do que em aplicativos de mensagens.

Em mensageiros, a empresa atua apenas como intermediária, transmitindo dados entre usuários.

Já no caso da IA, a própria empresa é parte ativa da conversa, pois precisa acessar os dados para que o modelo funcione. Outras empresas de tecnologia já estão explorando soluções para esse dilema.

A Apple, por exemplo, apresentou o Private Cloud Compute, que permite processar solicitações em servidores da empresa sem dar acesso irrestrito aos dados dos usuários.

Esse tipo de abordagem pode inspirar caminhos para a OpenAI, mas ainda não há clareza sobre como a criptografia será aplicada no ChatGPT.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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