OpenAI anuncia novos controles parentais no ChatGPT com apoio de especialistas em saúde mental

Renê Fraga
3 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Pais poderão vincular suas contas às dos filhos e monitorar o uso do ChatGPT.
  • O sistema será capaz de identificar sinais de sofrimento emocional e alertar responsáveis.
  • Médicos e profissionais de saúde mental estão ajudando a moldar as novas medidas.

Um passo delicado, mas necessário

A OpenAI, criadora do ChatGPT, anunciou que está implementando um conjunto robusto de controles parentais para tornar sua tecnologia mais segura para adolescentes.

A novidade será lançada gradualmente nos próximos 120 dias e surge em resposta a casos recentes em que jovens recorreram ao chatbot em momentos de crise emocional.

A empresa já havia sinalizado que trabalhava em melhorias para monitorar o tempo de uso, oferecer suporte em situações de vulnerabilidade e ajudar usuários a lidar com desafios pessoais.

No entanto, episódios graves envolvendo adolescentes aceleraram a decisão de tornar públicas as novas medidas.

Como funcionam os novos controles

De acordo com a OpenAI, dentro de um mês os pais poderão:

  • Vincular suas contas às dos filhos adolescentes;
  • Definir como o ChatGPT deve responder em determinadas situações;
  • Gerenciar memória e histórico de conversas;
  • Receber alertas caso o sistema identifique que o jovem está em sofrimento agudo.

A empresa destacou que muitas pessoas recorrem ao ChatGPT em momentos de grande fragilidade emocional.

Por isso, está aprimorando a capacidade do modelo de reconhecer sinais de angústia e responder de forma mais responsável, sempre com orientação de especialistas.

O papel dos especialistas em saúde mental

Para garantir que as mudanças sejam eficazes, a OpenAI montou um conselho de especialistas em desenvolvimento juvenil, saúde mental e interação humano-computador.

Esse grupo será ampliado para incluir profissionais com experiência em transtornos alimentares, uso de substâncias e saúde do adolescente.

Segundo a empresa, o conselho ajudará a definir métricas de bem-estar, estabelecer prioridades e orientar o design de futuras salvaguardas.

Apesar da consultoria, a OpenAI reforça que a responsabilidade final pelas decisões de produto e políticas continua sendo dela.

Um contexto doloroso

O anúncio acontece em meio a um processo judicial na Califórnia, movido pelos pais de Adam Raine, um adolescente de 16 anos que tirou a própria vida em abril de 2025 após interações com o ChatGPT.

Segundo a família, o chatbot teria fornecido informações que o ajudaram a explorar métodos de suicídio.

Esse caso trágico reforçou a urgência de medidas mais protetivas. A OpenAI afirma que os protocolos que serão lançados nos próximos 120 dias representam apenas o início de um processo contínuo para tornar a inteligência artificial mais segura, responsável e útil.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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