Principais destaques:
- A OpenAI afirma que existe uma grande distância entre o que a IA já consegue fazer e o valor que pessoas e empresas extraem dela.
- Usuários avançados utilizam até sete vezes mais poder computacional e exploram funções muito mais complexas do que a média.
- O tema ganha destaque durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, com propostas para ampliar o acesso e o uso prático da IA.
Com o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a OpenAI trouxe ao centro do debate global um conceito que pode definir o futuro da inteligência artificial nos próximos anos: o chamado “déficit de aproveitamento”.
Segundo a empresa, essa lacuna representa a diferença crescente entre as capacidades já alcançadas pelos sistemas de IA e o quanto usuários, empresas e até países conseguem, de fato, transformar isso em valor real.
Em uma publicação recente em seu blog oficial, a OpenAI defendeu que acompanhar e reduzir esse déficit deveria ser uma prioridade global. A avaliação é direta: enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, grande parte do mundo ainda explora apenas uma fração do seu potencial.
A diferença entre usuários comuns e avançados
Um dos dados mais chamativos apresentados pela OpenAI mostra que usuários considerados avançados consomem cerca de sete vezes mais poder computacional do que usuários médios. Mas não se trata apenas de quantidade. Esses usuários também aplicam a IA de forma mais ampla e estratégica, usando recursos avançados em tarefas longas, complexas e interligadas.
A empresa destaca que a capacidade do ChatGPT de lidar com demandas mais sofisticadas cresce, em média, a cada sete meses. Mesmo assim, a maioria das pessoas continua utilizando a ferramenta apenas para tarefas simples, deixando um enorme potencial inexplorado.
Um risco de nova divisão de produtividade
Para a OpenAI, o cenário lembra os primeiros anos da computação pessoal. Naquela época, quem adotou computadores cedo deu saltos significativos de produtividade, enquanto outros ficaram para trás. Agora, algo semelhante pode acontecer com a IA.
Sem uma adoção mais ampla e qualificada, os maiores ganhos tendem a se concentrar em empresas, profissionais e nações que já estão empurrando os limites da tecnologia. A IA, segundo a empresa, é contraintuitiva e revela novas possibilidades conforme é usada com mais profundidade, o que amplia ainda mais essa diferença.
Três princípios para reduzir a lacuna
Para enfrentar o problema, a OpenAI apresentou três princípios centrais. O primeiro é a produção de dados confiáveis sobre como a IA afeta empregos, produtividade e desempenho humano, com pesquisas contínuas comparando capacidades humanas e artificiais.
O segundo ponto envolve ampliar o acesso. O plano gratuito do ChatGPT, sustentado por publicidade, é visto como uma ferramenta importante para democratizar o uso da IA e permitir que mais pessoas experimentem seus benefícios.
Por fim, a empresa defende que sistemas de IA precisam ser altamente personalizáveis. Isso permitiria que indivíduos e pequenas empresas adaptem as ferramentas a usos inesperados, desde o controle de finanças pessoais até a criação de novos negócios.
Durante o evento em Davos, líderes da empresa reforçaram essa visão. Em entrevistas recentes, Sam Altman resumiu o desafio de forma clara: ainda existe uma enorme diferença entre o valor econômico que os modelos de IA já representam e aquilo que o mundo conseguiu aprender a extrair deles até agora.







