🧠 Principais destaques:
- O uso frequente de IA pode enfraquecer o pensamento crítico: estudos mostram que a dependência excessiva de ferramentas inteligentes pode reduzir a capacidade de análise independente.
- Jovens são os mais vulneráveis: a geração que cresceu com tecnologia tende a confiar mais na IA e questionar menos suas respostas.
- Educação é fator de proteção: pessoas com maior nível educacional conseguem manter habilidades críticas mesmo usando IA com frequência.
A inteligência artificial já está em todos os lugares: no trabalho, na escola, nas decisões do dia a dia.
Mas um novo estudo publicado na revista Societies acende um alerta importante: quanto mais usamos ferramentas de IA para resolver problemas, menos exercitamos nossa própria capacidade de pensar criticamente.
Esse fenômeno é chamado de “cognitive offloading” ou seja, quando transferimos para a máquina tarefas que antes exigiam esforço mental, como analisar, comparar e avaliar informações.
O resultado? Ganhamos rapidez e conveniência, mas corremos o risco de perder a prática do raciocínio profundo.
Segundo o pesquisador Michael Gerlich, responsável pelo estudo, a questão não é demonizar a IA, mas entender como ela pode estar moldando nossa forma de pensar.
Jovens confiam mais, mas pensam menos
A pesquisa contou com 666 participantes de diferentes idades e formações.
O resultado foi claro: os mais jovens (17 a 25 anos) são os que mais usam IA e, ao mesmo tempo, os que apresentaram menores índices de pensamento crítico.
O que pode parecer contraditório, já que são justamente os “nativos digitais” que dominam melhor a tecnologia. Mas, segundo Gerlich, essa familiaridade pode estar levando a uma confiança excessiva, muitos jovens simplesmente aceitam as respostas da IA sem questionar.
Já os participantes mais velhos (acima de 46 anos) mostraram maior resistência em depender da tecnologia e, consequentemente, mantiveram habilidades críticas mais afiadas.
Educação como escudo contra a dependência
Outro ponto interessante do estudo é que a educação formal funciona como um fator de proteção.
Pessoas com maior nível educacional, mesmo usando IA com frequência, demonstraram mais capacidade de avaliar criticamente as respostas recebidas.
O que sugere que a chave não está em evitar a IA, mas em aprender a usá-la de forma consciente. Em vez de aceitar respostas prontas, é preciso questionar, comparar e refletir.
Durante entrevistas qualitativas, muitos participantes admitiram sentir-se cada vez mais dependentes da IA.
Alguns relataram que já não se esforçam tanto para resolver problemas sozinhos. Outros, com mais experiência acadêmica, disseram que usam a IA como apoio, mas sempre verificam a informação em outras fontes.
O que isso significa para o futuro?
O estudo não prova que a IA causa diretamente a perda de pensamento crítico, pode ser também que pessoas com menos habilidade crítica tendam a confiar mais na tecnologia.
Mas o alerta está dado: se não equilibrarmos o uso da IA com o exercício da reflexão, corremos o risco de atrofiar uma das nossas maiores capacidades humanas.
Para Gerlich, o caminho está em educação e conscientização. Escolas, universidades e empresas precisam ensinar não apenas a usar IA, mas também a pensar sobre o que ela entrega.
Afinal, a tecnologia deve ser uma parceira, não uma substituta da nossa mente.
