Novo laboratório de IA da Meta entrega primeiros modelos e anima estratégia bilionária

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • O novo laboratório de inteligência artificial da Meta Platforms já entregou seus primeiros modelos internos, descritos como “muito bons” pelo CTO.
  • A iniciativa faz parte de uma ampla reestruturação liderada por Mark Zuckerberg para reduzir a distância em relação a rivais como OpenAI e Google.
  • A empresa prepara investimentos de até US$ 70 bilhões em infraestrutura de computação para IA nos próximos anos.

A Meta deu um passo importante em sua corrida pela liderança em inteligência artificial. O recém-criado laboratório de IA da companhia entregou, neste mês, seus primeiros modelos estratégicos para uso interno.

A informação foi confirmada por Andrew Bosworth durante um briefing realizado à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Segundo Bosworth, os modelos desenvolvidos pelo Meta Superintelligence Labs são “muito bons” e representam o primeiro resultado concreto da reorganização das pesquisas em IA iniciada no ano passado.

A mudança ocorreu em meio a críticas internas e externas de que a Meta estaria ficando atrás dos principais concorrentes no avanço dessa tecnologia.

Uma nova liderança para acelerar a IA

O Meta Superintelligence Labs nasceu de uma reestruturação profunda das operações de inteligência artificial da empresa em 2025. A divisão passou a ser comandada por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI, após a Meta adquirir uma participação relevante na startup por US$ 14,3 bilhões.

Como Chief AI Officer, Wang montou uma equipe com pesquisadores recrutados de concorrentes diretos, incluindo OpenAI, Anthropic e Google DeepMind. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de modelos capazes de competir no mais alto nível, tanto em texto quanto em imagens, vídeos e programação.

Modelos Mango e Avocado no horizonte

Entre os projetos em andamento estão os modelos com codinomes “Mango”, voltado para geração de imagens e vídeos, e “Avocado”, focado em processamento de texto. A expectativa interna é que essas soluções cheguem ao mercado no primeiro semestre de 2026.

Além disso, a Meta também investe em melhorar as capacidades de programação de seus modelos de linguagem e conduz pesquisas iniciais em “modelos de mundo”, sistemas que tentam compreender o ambiente ao seu redor a partir de dados visuais. Essa abordagem é vista como essencial para aplicações mais avançadas de IA no futuro.

Infraestrutura bilionária e mudança de prioridades

O avanço do laboratório acontece em paralelo a uma aposta pesada em infraestrutura.

Zuckerberg anunciou recentemente a iniciativa Meta Compute, com planos de expandir a capacidade energética para IA em dezenas de gigawatts ao longo da década. A empresa estima gastar entre US$ 60 e US$ 70 bilhões em despesas de capital apenas em computação de IA em 2026.

Ao mesmo tempo, a Meta tem redirecionado recursos internos. Mais de mil funcionários foram demitidos da divisão Reality Labs, antes focada em metaverso e realidade virtual.

A prioridade agora recai sobre wearables de IA e recursos inteligentes para celulares, deixando claro que a inteligência artificial se tornou o eixo central da estratégia da companhia.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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