Novo chip baseado em luz promete aumentar em até 100 vezes a eficiência energética da IA

Renê Fraga
4 min de leitura

💡 Principais destaques:

  • Um chip fotônico desenvolvido na Universidade da Flórida consegue realizar cálculos essenciais de IA usando luz, reduzindo drasticamente o consumo de energia.
  • O dispositivo pode ser até 100 vezes mais eficiente do que chips convencionais, abrindo novas possibilidades para sistemas de inteligência artificial mais sustentáveis.
  • A inovação usa minúsculas lentes fotônicas para acelerar operações de convolução, fundamentais em reconhecimento de padrões, visão computacional e processamento de dados.

A corrida por uma IA mais sustentável

A inteligência artificial já está no coração de quase tudo o que usamos hoje: reconhecimento facial, assistentes de voz, tradução automática, carros autônomos.

Mas por trás desse poder, existe um grande desafio: o gasto gigantesco de energia. Modelos cada vez maiores e mais complexos exigem muito da infraestrutura elétrica, pressionando o meio ambiente e os custos industriais.

É nesse cenário que pesquisadores da Universidade da Flórida, em colaboração com institutos e universidades como UCLA e George Washington University, apresentaram uma proposta revolucionária: um chip híbrido de silício e luz.

Ele é capaz de executar operações matemáticas cruciais para a IA, as convoluções, de forma quase imediata e com até 100 vezes mais eficiência energética do que os processadores tradicionais.


Como funciona o chip fotônico?

O grande diferencial desse dispositivo está no uso de fótons em vez de apenas elétrons.

A equipe gravou no chip minúsculas lentes de Fresnel, versões ultrafinas das lentes usadas em faróis de navio, que têm a capacidade de transformar dados em feixes de luz, processá-los e reconvertê-los em sinais digitais.

Em termos práticos, isso significa que tarefas como reconhecimento de imagens, padrões em vídeos ou até processamento de texto podem ser feitas de maneira muito mais rápida e com um gasto mínimo de energia.

Durante testes iniciais, o protótipo conseguiu classificar dígitos manuscritos com quase 98% de precisão, um resultado equivalente ao dos chips eletrônicos comuns, mas gastando muito menos energia para chegar lá.

O detalhe mais fascinante? O chip pode lidar com vários fluxos de dados ao mesmo tempo, aproveitando diferentes cores de luz (fenômeno chamado wavelength multiplexing).

Ou seja, enquanto um processo ocorre em uma cor, outro pode rodar em paralelo em outra frequência luminosa, algo impossível nos chips convencionais.


O futuro da computação óptica para IA

Esse é um marco importante porque, segundo Volker J. Sorger, professor de fotônica de semicondutores e líder da pesquisa, realizar operações de convolução praticamente sem gasto de energia abre caminho para a escalabilidade da IA nos próximos anos.

A própria indústria já começa a flertar com essa integração: fabricantes como a NVIDIA utilizam elementos ópticos em algumas de suas arquiteturas, o que pode facilitar a adaptação dessa nova tecnologia em chips comerciais num futuro próximo.

Se essa inovação se consolidar, podemos imaginar um cenário em que os dispositivos do dia a dia terão chips com fotônica integrada, tornando os sistemas de IA mais rápidos, poderosos e, sobretudo, sustentáveis.

É uma pista clara de que a computação óptica não é apenas tendência, é o próximo salto da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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