Principais destaques:
- Elon Musk revelou planos para robôs humanoides Optimus capazes de se autorreplicar, abrindo caminho para fábricas totalmente autônomas.
- O bilionário prevê um futuro onde o trabalho será opcional — e o dinheiro, talvez, até irrelevante.
- A Tesla pretende iniciar a produção em larga escala até 2026, com o robô custando cerca de US$ 20 mil.
Elon Musk reacendeu o debate global sobre o papel da inteligência artificial e da robótica no trabalho humano ao compartilhar, no X (antigo Twitter), um vídeo viral do robô humanoide Optimus.
O clipe, criado por Alex Utopia, já ultrapassou 58 milhões de visualizações, mostrando o robô realizando tarefas impressionantes: desde construção civil até cozinhar em cozinhas profissionais e atuar em situações de emergência.
A publicação coincidiu com a presença de Musk no Fórum de Investimentos EUA–Arábia Saudita, realizado em Washington, D.C., onde ele apresentou sua visão ousada para as próximas décadas: uma sociedade em que a robótica e a IA transformarão completamente a economia, o trabalho e a própria noção de escassez.
“O trabalho será opcional”: a previsão de Musk
Durante o evento, realizado entre os dias 18 e 19 de novembro, Musk declarou que, dentro de 10 a 20 anos, os empregos atuais poderão se tornar dispensáveis.
“Minha previsão é que o trabalho será opcional”, afirmou o visionário.
Ele comparou o futuro do trabalho à jardinagem como hobby, algo realizado por prazer, não por necessidade. Segundo Musk, em um mundo movido pela IA e pela automação, a abundância substituirá a escassez, e até mesmo o dinheiro pode perder seu propósito.
Ao lado de Musk, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, trouxe um contraponto mais pragmático. Ele reconheceu o enorme potencial da automação, mas brincou pedindo que Musk o avise “com antecedência” antes que o dinheiro deixe de ter valor.
A era das fábricas autorreplicantes
Mas o momento mais impactante veio quando Elon Musk revelou a estratégia de autorreplicação dos robôs Optimus.
Em um post curioso, ele descreveu o projeto como uma “sonda de Von Neumann”, uma referência ao conceito do matemático John von Neumann, que, na década de 1940, teorizou sobre máquinas capazes de construir cópias de si mesmas.
De acordo com Musk, o objetivo da Tesla é justamente esse: permitir que robôs fabriquem outros robôs. Isso eliminaria quase toda a necessidade de intervenção humana e criaria um sistema de produção exponencialmente escalável.
A Tesla planeja começar com uma produção de 1 milhão de unidades por ano em Fremont, chegando a 10 milhões na Gigafábrica do Texas. No futuro, Musk não descarta escalar para bilhões de unidades.
O primeiro modelo totalmente voltado à produção, o Optimus V3, está previsto para 2026, e os planos incluem a criação de milhares de unidades em 2025 para uso interno nas próprias fábricas da empresa.
O preço estimado: US$ 20.000 por unidade, um valor relativamente baixo para um robô com potencial de mudar completamente nossas noções de trabalho e produção.
O que está em jogo: um novo paradigma civilizacional
A proposta não é apenas tecnológica, é filosófica. Se robôs realmente puderem construir outros robôs, a humanidade pode entrar em uma nova era de abundância, marcada por recursos quase ilimitados e pela redefinição do papel humano na sociedade.
Mas, como sempre acontece com as ideias de Elon Musk, o entusiasmo vem acompanhado de questionamentos profundos: quem controlará essas máquinas? Que impacto isso trará para a economia? E, mais importante, o que faremos quando o trabalho deixar de ser uma necessidade?
Seja como revolução ou como especulação ousada, o fato é que Musk mais uma vez conseguiu o que sabe fazer melhor: mover o mundo inteiro a imaginar o futuro.
