Mozilla sob críticas após nova função de IA drenar bateria no Firefox

Renê Fraga
5 min de leitura

🔍 Principais destaques:

  • Nova função de IA no Firefox causa frustração — usuários relatam consumo excessivo de CPU e queda na bateria após recurso de agrupar abas automaticamente.
  • Tecnologia usada é aberta e roda localmente, mas escolha do formato do modelo pode estar afetando a eficiência.
  • Mais funções de IA a caminho, mas sem opção para desativar todas ao mesmo tempo.

A Mozilla lançou, na versão 141 do Firefox, um recurso experimental que prometia ajudar usuários a organizar suas abas abertas de forma inteligente.

Utilizando inteligência artificial diretamente no computador, o navegador cria grupos de abas temáticos e sugere nomes automáticos para cada conjunto.

Na teoria, era para ser uma mão na roda. Na prática, a função está sendo vista por muitos como um verdadeiro peso morto no desempenho.

Quando a inteligência artificial vira inimiga da usabilidade

Assim que o recurso começou a rodar, usuários no Reddit e fóruns da Mozilla perceberam algo errado: o processo “Inference” do Firefox estava consumindo muito processamento interno, fazendo ventiladores de notebooks dispararem e a bateria despencar rapidamente.

O objetivo do processo é justamente executar as tarefas da IA localmente, sem enviar dados para servidores externos — uma boa notícia para a privacidade, mas ruim para quem está sofrendo com lentidão e superaquecimento.

Um usuário, identificado como u/st8ic88, relatou que após a atualização “o CPU foi à loucura” e classificou a função como “lixo”, criticando a Mozilla por embarcar na onda de IA sem entregar realmente valor.

Outros comentaram que o uso de memória subia e caía sem motivo aparente, sinal de que o sistema estava constantemente analisando as abas abertas.

Possível causa: escolha do formato do modelo de IA

Especulações entre desenvolvedores e entusiastas indicam que o problema pode estar na escolha do formato do modelo.

A Mozilla optou pelo ONNX (Open Neural Network Exchange), criado pela Microsoft, que é prático e bem suportado, mas nem sempre o mais eficiente em termos de velocidade e consumo de recursos.

Modelos em outros formatos poderiam, na teoria, entregar a mesma função com menor impacto no desempenho.

E não é todo mundo que percebe o problema: usuários com máquinas mais potentes talvez nem sintam diferença de performance, mas em dispositivos mais simples o impacto é imediato.

Como desativar o agrupamento inteligente de abas

Se você quiser testar sem sofrer, ou simplesmente não se adaptar, é possível desligar a função manualmente:

  1. Digite about:config na barra de endereços e pressione Enter.
  2. Aceite o aviso de risco.
  3. Procure por browser.tabs.groups.smart.enabled.
  4. Clique duas vezes para alterar de true para false.
  5. Reinicie o Firefox.

Isso impede que o processo de “Inference” continue rodando em segundo plano. Caso queira, também é possível excluir os modelos de IA baixados acessando about:addons.

Inteligência artificial: solução mágica ou modismo exagerado?

Apesar de ser open source e respeitar a privacidade dos usuários, a função ainda está longe de cumprir sua promessa de “inteligente”.

Em testes realizados por usuários, como agrupar múltiplas abas sobre Linux, o Firefox não reconheceu semelhança alguma.

Já em outro caso, reuniu abas de compras, mas sugeriu um título totalmente incoerente: “Cozinha ao Ar Livre”, sendo que as abas eram sobre tecnologia e moda urbana.

A Mozilla já deixou claro que mais recursos de IA virão ainda este ano, mas não há qualquer previsão de um botão para desativar todas as funcionalidades de uma vez.

Para alguns, isso é um avanço inevitável; para outros, um risco à experiência de uso.

A pergunta que fica: vale gastar mais bateria e processamento por uma função que, no fim, talvez ainda precise de intervenção manual?

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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