Microsoft enfrenta escassez de energia e chips de IA parados

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais Destaques:

  • Microsoft enfrenta gargalos de energia que impedem o uso de chips de IA da Nvidia já disponíveis.
  • O crescimento do Azure foi limitado por restrições na infraestrutura elétrica e de data centers.
  • A escassez de energia é agora o maior desafio global para a expansão da inteligência artificial.

A Microsoft revelou um cenário inusitado e alarmante para o setor de tecnologia: mesmo com estoques cheios de chips da Nvidia prontos para alimentar sistemas de inteligência artificial, a empresa não consegue utilizá-los.

O motivo não é falta de semicondutores, mas sim um gargalo energético que está travando o ritmo da revolução da IA.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, abordou o tema com franqueza em uma entrevista ao podcast BG2. Segundo ele, a expansão da IA está enfrentando um novo tipo de barreira: a escassez de energia e a limitação da infraestrutura dos data centers.

“O maior problema que estamos enfrentando agora não é computação, é energia”, declarou Nadella. “Temos chips que simplesmente não conseguimos conectar. Não por falta de tecnologia, mas por falta de energia.”


O Impacto Direto no Crescimento do Azure

Os efeitos dessa crise energética já aparecem nos números. O Azure, a plataforma de nuvem da Microsoft que sustenta grande parte de suas operações de IA, cresceu 40% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 em relação ao ano anterior. Um número expressivo, mas que poderia ter sido ainda maior.

A CFO da Microsoft, Amy Hood, confirmou que a limitação de capacidade deve continuar até meados de 2026. Em resposta, a empresa planeja aumentar a capacidade de infraestrutura de IA em mais de 80% ao longo deste ano fiscal. Mesmo em meio a esses desafios, a receita de nuvem atingiu US$ 49,1 bilhões — um aumento de 26% ano a ano.

Ainda assim, Hood foi clara: “Sabemos que estamos atrasados. Precisamos gastar.”
Essa frase resume o novo campo de batalha da computação moderna — onde o poder não está mais apenas nos chips, mas nas redes elétricas que os alimentam.


Uma Crise que Atinge Toda a Indústria de IA

O problema da Microsoft não é isolado. Conforme Nadella mencionou, a indústria está repleta de “cascas” de data centers prontos, mas sem energia e resfriamento suficientes para operar em plena capacidade. A crise de infraestrutura virou o novo gargalo tecnológico global.

A Deloitte estima que, até 2035, o consumo de energia de data centers de IA nos Estados Unidos pode aumentar mais de trinta vezes, de 4 gigawatts em 2024 para 123 gigawatts.

Já o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley alerta que esses centros poderão consumir até 12% de toda a eletricidade do país até 2028.

Para enfrentar esse cenário, a Microsoft anunciou planos para praticamente dobrar sua capacidade de data centers nos próximos dois anos.

No último trimestre, a empresa investiu US$ 34,9 bilhões em despesas de capital, sendo metade direcionada a GPUs, CPUs e à infraestrutura necessária para sustentar o Azure.

Mesmo com as limitações atuais, a demanda futura segue forte: as obrigações comerciais da Microsoft já somam US$ 392 bilhões, um aumento de 51% em relação ao ano anterior.


Uma Corrida Contra o Tempo e Contra a Física

O que antes era um problema de silício virou uma questão de eletricidade.

A revolução da IA exige não apenas inovação em algoritmos, mas também um esforço maciço em engenharia energética. Se a Microsoft representa o presente, o futuro da IA dependerá tanto de linhas de código quanto de redes elétricas estáveis e sustentáveis.

A corrida global pela inteligência artificial, ao que tudo indica, está esbarrando em seus próprios limites físicos e reescrevendo as regras da infraestrutura tecnológica mundial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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