Meta dá primeiro passo rumo à superinteligência artificial, mas Zuckerberg decide limitar acesso público

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Meta afirma ter observado sinais de IA se aprimorando sozinha, sem intervenção humana.
  • Mark Zuckerberg considera esse fenômeno o primeiro passo em direção à superinteligência artificial (ASI).
  • A empresa será mais cautelosa e não liberará seus sistemas mais poderosos em código aberto.

Nos últimos meses, a Meta anunciou algo que pode marcar um divisor de águas na história da tecnologia: seus sistemas de inteligência artificial começaram a mostrar sinais de autoaperfeiçoamento, ou seja, a capacidade de evoluir sem depender de programadores humanos.

Mark Zuckerberg, CEO da empresa, descreveu esse avanço como “lento, mas inegável” e afirmou que estamos diante do primeiro passo em direção à superinteligência artificial (ASI), um estágio em que a IA não apenas iguala, mas ultrapassa a capacidade cognitiva humana, podendo se aprimorar em ritmo exponencial.

Essa revelação, publicada em um documento oficial da Meta no final de julho, reacende debates sobre o futuro da tecnologia, seus riscos e seu impacto profundo na humanidade.

De onde viemos: IA estreita, AGI e o caminho até a ASI

Para entender a importância desse marco, é preciso lembrar que os pesquisadores classificam a evolução da inteligência artificial em três grandes etapas:

  1. IA Estreita (Narrow AI): sistemas que superam humanos em tarefas específicas, como prever estruturas de proteínas ou jogar xadrez, mas que não conseguem aplicar esse conhecimento em outros contextos.
  2. Inteligência Artificial Geral (AGI): modelos capazes de aprender, adaptar-se e raciocinar de forma semelhante ao cérebro humano, com flexibilidade cognitiva.
  3. Superinteligência Artificial (ASI): o estágio final, em que a IA ultrapassa em muito a inteligência humana e pode se aprimorar sozinha, desencadeando o que cientistas chamam de “explosão de inteligência”.

É justamente esse último ponto que Zuckerberg acredita estar começando a se materializar.

O precedente: a máquina de Gödel e a IA que reescreve a si mesma

Vale lembrar que a ideia de uma IA capaz de se modificar não é nova.

Em 2024, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, apresentaram um estudo baseado no conceito da Máquina de Gödel, um sistema teórico que pode reescrever seu próprio código, mas apenas se provar matematicamente que a mudança trará benefícios.

Esse experimento resultou no chamado Agente Gödel, que demonstrou melhorias consistentes em tarefas como programação, matemática, raciocínio e até ciência.

Diferente da maioria dos modelos atuais, que não têm permissão para alterar seu próprio código, o Agente Gödel mostrou que é possível criar um ciclo de evolução autônoma.

Agora, com a Meta relatando sinais semelhantes em seus sistemas, a discussão sobre os limites e riscos da IA ganha ainda mais urgência.

Zuckerberg: otimismo, cautela e um futuro de escolhas pessoais

Apesar do entusiasmo, Zuckerberg deixou claro que a Meta será muito mais seletiva sobre quais modelos serão disponibilizados em código aberto.

A decisão reflete uma preocupação crescente: colocar ferramentas tão poderosas nas mãos de qualquer pessoa pode ser arriscado demais.

Para ele, a superinteligência não será apenas um motor de descobertas científicas e avanços tecnológicos, mas também uma forma de empoderamento pessoal.

Ele imagina um futuro em que cada indivíduo terá acesso a uma “IA pessoal superinteligente”, capaz de ajudar a alcançar objetivos, criar novas experiências, fortalecer relações e até apoiar no crescimento pessoal.

Em suas palavras, o impacto mais profundo talvez não esteja apenas na abundância de conhecimento e inovação, mas na possibilidade de cada pessoa se tornar a melhor versão de si mesma com o auxílio da tecnologia.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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