✨ Principais destaques:
- Reestruturação bilionária: OpenAI busca se transformar em uma Public Benefit Corporation, mantendo o controle em mãos da entidade sem fins lucrativos.
- Pressão regulatória: autoridades da Califórnia e de Delaware ainda precisam aprovar a mudança, enquanto instituições de caridade tentam barrar o plano.
- Parceria em transformação: apesar da diversificação, Microsoft e OpenAI continuam profundamente interligadas em negócios e infraestrutura de IA.
Nos últimos meses, o relacionamento entre OpenAI e Microsoft passou por uma das maiores reformulações desde o início da parceria, em 2019.
Agora, o futuro da empresa que criou o ChatGPT pode ganhar um novo formato jurídico e estratégico e isso envolve cifras superiores a US$ 100 bilhões.
O que está em jogo com a reestruturação da OpenAI
A OpenAI anunciou que deseja converter sua subsidiária “com fins lucrativos limitado” em uma Public Benefit Corporation (PBC), uma estrutura usada por empresas que buscam equilibrar lucro e impacto social.
Nesse arranjo, o controle seguiria com o conselho do braço sem fins lucrativos da organização, que passaria a ser o maior acionista individual da PBC.
Segundo Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI, essa nova forma garantiria a preservação do propósito fundacional da empresa, ao mesmo tempo em que abriria espaço para captar investimentos em larga escala.
Mas o caminho não está livre: a mudança depende da aprovação de procuradores-gerais de Califórnia e Delaware, estados nos quais a empresa possui registros jurídicos.
Além disso, grupos de instituições beneficentes vêm pressionando autoridades para bloquear a transição, alegando que a OpenAI arriscaria se afastar de seus ideais originais.
A posição da Microsoft no meio da transição
Mesmo diante da remodelagem, a Microsoft reforçou que os termos centrais de seu contrato seguem firmes até 2030. Isso inclui:
- Acesso preferencial à propriedade intelectual da OpenAI.
- Divisão de receitas entre as duas companhias.
- Direitos exclusivos de acesso via API da OpenAI.
Uma novidade importante é que o acordo trocou a exclusividade total da Microsoft como provedora de nuvem por um formato de “direito de preferência”: a OpenAI pode negociar com outros players, mas a Microsoft tem a primeira chance de oferecer infraestrutura de computação.
Ou seja, há mais espaço para múltiplos parceiros, mas a Big Tech de Redmond ainda preserva privilégios estratégicos.
Um retrato de um setor em ebulição
Esta dança estratégica reflete o momento atual da indústria de IA, que deixou de ser um território dominado por laboratórios de pesquisa experimentais para se tornar uma corrida trilionária, com infraestrutura espalhada pelo globo.
A OpenAI, por exemplo, se juntou à Oracle e SoftBank no colossal Projeto Stargate, avaliado em US$ 500 bilhões, mostrando que não depende mais exclusivamente da Microsoft para escalar seus modelos.
Por outro lado, a Microsoft expandiu o Azure para hospedar modelos de concorrentes de peso, como Meta, xAI e DeepSeek.
Ainda assim, o vínculo segue profundo: o próprio relatório financeiro mais recente da empresa revelou que o Azure movimenta US$ 75 bilhões ao ano, e boa parte desse valor está diretamente conectada aos serviços da OpenAI.
💡 O que vemos, no fundo, é um relacionamento que tenta encontrar um novo equilíbrio: menos dependência mútua, mas ainda altamente simbiótico.
Para quem acompanha o universo da IA, essa reformulação é um lembrete poderoso de que, além de algoritmos e modelos, a revolução tecnológica também depende e muito de acordos estratégicos.
