Principais destaques:
- Jornalistas especializados em tecnologia trocaram o Windows pelo Linux como sistema principal.
- A integração agressiva de agentes de IA no Windows 11 gerou incômodo e desconfiança.
- Avanços no desempenho de jogos tornaram o Linux uma alternativa viável para desktops gamers.
A relação entre profissionais de tecnologia e o sistema operacional da Microsoft parece estar passando por um momento de desgaste.
Nos últimos dias, pelo menos quatro jornalistas conhecidos relataram publicamente que abandonaram o Windows em favor do Linux, citando preocupações com inteligência artificial, estabilidade e controle do sistema.
Os relatos foram publicados entre 4 e 10 de janeiro e chamaram atenção por virem de nomes influentes da cobertura de tecnologia, indicando que a insatisfação não se limita a usuários comuns, mas também a quem acompanha de perto a evolução do setor.
A IA no centro do desgaste com o Windows
Um dos principais gatilhos para a mudança foi o anúncio da Microsoft de que pretende transformar o Windows 11 em um sistema operacional com agentes de IA integrados, incluindo a barra de tarefas.
A proposta de um sistema mais “agêntico” gerou críticas relacionadas a privacidade, segurança e perda de controle por parte do usuário.
Nathan Edwards, editor sênior de reviews do The Verge, afirmou que simplesmente se cansou da direção que o Windows vem tomando. Para ele, a presença constante de recursos de IA, somada a notificações, publicidade e decisões automáticas do sistema, criou um ambiente menos previsível e confortável para o uso diário.
A própria Microsoft reconheceu em documentos de suporte que agentes de IA podem introduzir novos riscos de segurança, como ações não intencionais e até exfiltração de dados, o que reforçou a cautela entre usuários mais técnicos.
Jogos deixam de ser obstáculo no Linux
Outro fator decisivo para a migração foi a evolução do Linux no universo dos jogos. Edwards optou pelo CachyOS, uma distribuição baseada em Arch, e conseguiu rodar títulos modernos com bom desempenho usando o Proton, camada de compatibilidade mantida pela Valve.
Um colaborador da revista The Escapist relatou taxas de até 144 quadros por segundo em jogos recentes, mesmo utilizando hardware da Nvidia. A experiência positiva contrasta com a antiga percepção de que o Linux não era adequado para gamers.
Dados do ProtonDB indicam que cerca de 90% dos jogos originalmente feitos para Windows já funcionam no Linux. Esse avanço tem impulsionado o uso do sistema na plataforma Steam, que atingiu participação recorde entre usuários de desktop.
Nem tudo são flores na migração
Apesar do entusiasmo, os jornalistas também relataram dificuldades.
Problemas com drivers, periféricos e ausência de versões nativas de alguns aplicativos ainda fazem parte da experiência. Softwares populares e jogos com sistemas anti-cheat agressivos continuam sendo um desafio, especialmente em títulos multiplayer competitivos.
Mesmo assim, o saldo final foi positivo. Estabilidade, menor consumo de recursos, ausência de atualizações forçadas e maior sensação de controle sobre o sistema foram apontados como ganhos claros.
Um sinal de mudança no mercado
Embora não represente uma migração em massa, o movimento desses profissionais funciona como um termômetro.
A combinação de fadiga com decisões corporativas, avanço da IA sem consenso e amadurecimento do ecossistema Linux pode estar abrindo espaço para uma mudança gradual no desktop de usuários mais exigentes.







