Influenciadora espanhola chora após perder voo por confiar em conselho do ChatGPT

Renê Fraga
4 min de leitura

😭 Principais destaques:

  • A influenciadora Mery Caldass perdeu um voo para Porto Rico após seguir uma orientação incorreta do ChatGPT sobre documentação de viagem.
  • Apesar dos avanços recentes, ferramentas como o ChatGPT ainda podem cometer erros graves, conhecidos como “alucinações”.
  • O caso reacende o debate sobre até onde podemos confiar em inteligências artificiais para decisões práticas e importantes.

No dia 13 de agosto, a criadora de conteúdo espanhola Mery Caldass compartilhou um vídeo emocionado em seu TikTok.

Entre lágrimas, ela contou que perdeu o voo para Porto Rico, onde passaria alguns dias com o namorado, porque não tinha a documentação correta.

O detalhe curioso e polêmico é que a decisão de não providenciar o documento partiu de uma consulta ao ChatGPT.

Segundo Mery, ao perguntar se precisava de visto para entrar em Porto Rico, a IA respondeu que não. De fato, cidadãos da União Europeia não precisam de visto para estadias curtas em Porto Rico.

Porém, ainda é obrigatório preencher o ESTA (Electronic System for Travel Authorization), um formulário online que autoriza a entrada em território norte-americano.

Essa etapa foi ignorada, e o resultado foi a perda do voo.“Isso é o que acontece quando não buscamos mais informações”, desabafou a influenciadora em espanhol, chorando diante da câmera.

A reação do público e a autocrítica

O vídeo rapidamente ganhou milhares de visualizações, mas a recepção não foi exatamente solidária.

Muitos seguidores criticaram a influenciadora por confiar cegamente em uma IA em vez de consultar fontes oficiais.

Nos comentários, alguns usuários foram diretos:

  • “Sites do governo existem para isso. Se você não procura, a culpa é sua.”
  • “Por que não usou o Google?”
  • “Porto Rico é como os EUA em relação a vistos, como você não sabia disso?”

Apesar do contratempo, Mery não deixou a viagem escapar completamente.

No dia seguinte, já estava em Porto Rico, compartilhando vídeos animados de um show de Bad Bunny e, mais tarde, atualizações de sua estadia no território.

O que esse caso nos ensina sobre IA

O episódio de Mery Caldass é apenas mais um exemplo de como a inteligência artificial pode ser útil, mas também falha.

A própria OpenAI, criadora do ChatGPT, anunciou em julho que o sistema agora “pensa e age” de forma mais autônoma, navegando em sites e realizando análises.

Ainda assim, os chamados erros de alucinação continuam acontecendo.Casos semelhantes já foram registrados:

  • Uma mulher relatou que o ChatGPT ajudou a identificar um câncer antes mesmo de seus médicos.
  • Um menino com dores crônicas teve seu diagnóstico sugerido pela IA após anos de incerteza.
  • Por outro lado, um homem acabou hospitalizado após seguir uma recomendação incorreta sobre dieta, confundindo substâncias químicas perigosas.

Esses contrastes mostram que a IA pode ser uma ferramenta poderosa, mas não substitui a checagem em fontes oficiais e confiáveis.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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