IBM e NASA criam IA inédita capaz de prever tempestades solares violentas

Renê Fraga
4 min de leitura

☀ Principais destaques:

  • A nova IA, chamada Surya, consegue prever erupções solares com até duas horas de antecedência.
  • A tecnologia pode ajudar a proteger astronautas, satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra.
  • O modelo é open-source e já está disponível no GitHub e no Hugging Face para pesquisadores do mundo todo.

O nascimento de uma IA que olha o Sol nos olhos

A IBM e a NASA anunciaram juntas um feito histórico: a criação de uma inteligência artificial chamada Surya (palavra em sânscrito que significa “Sol”).

Essa IA é a primeira do mundo projetada para analisar diretamente a atividade solar e prever tempestades violentas antes que elas aconteçam.

O diferencial está na forma como o modelo foi treinado. Durante nove anos, o satélite Solar Dynamics Observatory (SDO) registrou imagens do Sol a cada 12 segundos, em diferentes comprimentos de onda, revelando desde a superfície até a coroa solar, onde as temperaturas podem chegar a 2 milhões de graus Celsius.

Esses dados, que antes eram complexos demais para serem processados manualmente, agora são absorvidos pela Surya, que consegue identificar padrões invisíveis ao olho humano e antecipar explosões solares com uma precisão inédita.

Por que isso importa para nós na Terra?

Pode parecer distante, mas a atividade solar tem impacto direto no nosso dia a dia. Ejeções de massa coronal e explosões solares podem:

  • Derrubar satélites e sistemas de GPS.
  • Interromper comunicações aéreas.
  • Provocar apagões em redes elétricas.
  • Colocar astronautas em risco devido à radiação.

Até hoje, prever esse tipo de evento era um enorme desafio. A luz de uma explosão solar leva oito minutos para chegar até nós, o que significa que, quando percebemos o fenômeno, ele já aconteceu.

A Surya muda esse cenário ao oferecer uma janela de tempo para agir, algo essencial em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia e em plena corrida espacial.

Como a Surya funciona e o que vem pela frente

O modelo foi construído com 360 milhões de parâmetros e treinado em múltiplos canais de observação solar.

Ele não apenas prevê erupções, mas também aprende sozinho os “humores” do Sol, como a rotação desigual entre o equador e os polos.

Nos testes, a Surya conseguiu prever erupções com 16% mais precisão do que os métodos atuais. Em alguns casos, ela antecipou eventos com até duas horas de antecedência, tempo precioso para proteger sistemas críticos.

Outro ponto importante: a Surya é open-source. Isso significa que qualquer pesquisador pode acessar o modelo no GitHub ou no Hugging Face, além de explorar o SuryaBench, um conjunto de dados e benchmarks criado para aprofundar o estudo da física solar.

Essa abertura pode acelerar descobertas e até inspirar novas aplicações, assim como já acontece com a família de modelos Prithvi, também da IBM e NASA, voltados para prever mudanças climáticas e monitorar o planeta Terra.

Um passo além da ciência

Mais do que um avanço tecnológico, a Surya representa uma nova forma de olhar para o universo. Pela primeira vez, temos uma IA que não apenas observa o Sol, mas aprende com ele.

Como disse um dos pesquisadores envolvidos, é como se tivéssemos criado um modelo capaz de “encarar o Sol nos olhos e prever seus humores”.

Uma metáfora poderosa para um futuro em que a inteligência artificial não só nos ajuda a entender a Terra, mas também a nos preparar para os desafios cósmicos que vêm de fora dela.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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