IAs já enviam 1% do tráfego da web e o ChatGPT domina

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • ChatGPT é responsável por mais de 87% do tráfego vindo de ferramentas de IA, consolidando-se como o principal canal de referência inteligente.
  • Apesar do crescimento, o tráfego orgânico tradicional ainda domina as visitas, principalmente em setores como saúde e comunicação.
  • As marcas destacadas por respostas de IA são diferentes das que se destacam no Google, revelando um novo cenário de visibilidade digital.

O mais recente Conductor AI Search Benchmark Report revelou um dado curioso e poderoso: apenas 1,08% do tráfego mundial de sites vem de buscas intermediadas por inteligências artificiais e a maior parte disso é gerada pelo ChatGPT.

A pesquisa analisou 13.770 domínios de 10 grandes setores, totalizando 3,3 bilhões de sessões entre maio e setembro de 2025, e trouxe uma visão clara de como os diferentes tipos de tráfego estão se transformando com a ascensão dos “motores de resposta” da IA.


ChatGPT se consolida como o maior gerador de tráfego via IA

De todo o tráfego proveniente de inteligências artificiais, 87,4% foi atribuído ao ChatGPT, seguido por ferramentas como Perplexity, Gemini e Copilot.

Em alguns setores, porém, há nuances interessantes: no de Utilities, o Gemini gerou cerca de 21% do tráfego via IA, enquanto no setor Financeiro, o Copilot respondeu por 5%.

Os segmentos de Tecnologia da Informação (2,8%) e Bens de Consumo (1,9%) lideram em participação de visitas vindas de IA, enquanto Serviços de Comunicação (0,25%) e Utilities (0,35%) estão na base da lista. Apesar de pequenos, os números vêm crescendo, cerca de 1% a mais a cada mês.


O duelo entre IA e busca orgânica: um novo paradigma digital

O estudo reforça que o tráfego orgânico ainda é o motor principal das visitas aos sites. Setores como Saúde (42,4%), Comunicação (39,6%) e Indústrias (33,8%) continuam altamente dependentes do Google e de mecanismos de busca tradicionais.

Mas há uma virada à vista: as respostas geradas por IA estão começando a definir a visibilidade e a confiança das marcas.

Se um negócio não aparece nas respostas dos assistentes e buscadores inteligentes, pode estar “invisível” para toda uma nova geração de consumidores.

É aqui que entram estratégias emergentes como GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization) que, embora tenham semelhanças com o SEO tradicional, exigem uma nova abordagem para garantir presença nas respostas oferecidas por ferramentas como ChatGPT e Perplexity.


As marcas que mais aparecem nas respostas de IA

A análise de 17 milhões de respostas de IA e 100 milhões de citações mostra um novo “mapa de fontes” na web.

Nos setores de varejo e consumo, os destaques são gigantes como Amazon, Walmart, Target, Best Buy e Chewy.

Já nas áreas de saúde e finanças, prevalecem fontes reconhecidas e confiáveis, como Mayo Clinic, Cleveland Clinic, NerdWallet, Bankrate e Vanguard.

No mundo corporativo e tecnológico, Google, Microsoft, Adobe, Deloitte, McKinsey e SAP aparecem com maior frequência nas respostas geradas por IA.

Essas mudanças revelam um padrão diferente do ecossistema do Google: as IAs estão priorizando credibilidade, especialização e clareza de conteúdo para selecionar quem merece destaque — e não apenas a otimização técnica.


O papel dos “AI Overviews” na busca do Google

Além das referências em ferramentas de IA independentes, o estudo também avaliou os novos AI Overviews do Google, resultados que misturam texto gerado por IA e links de referência.

Em 21,9 milhões de buscas analisadas, cerca de 25% geraram Overviews, sendo as áreas de Saúde (48,7%), Finanças (25,7%) e Utilities (25,4%) as mais afetadas.

Os tipos de páginas mais citadas nesses resultados foram blogs, vídeos, artigos, notícias e páginas de produtos, um indicativo de que a IA está cruzando formatos para oferecer respostas mais ricas e contextuais.


Um novo campo de disputa pela atenção digital

O relatório deixa claro: o jogo da visibilidade digital está mudando.

Enquanto o SEO tradicional continua muito relevante, a presença nos resultados e respostas geradas por IA se torna um novo pilar estratégico para marcas, criadores e empresas.

Afinal, quem não aparece nas respostas das IAs pode estar fora do radar de milhões de usuários que já preferem perguntar diretamente à inteligência artificial em vez de buscar no Google.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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