IA já permite que uma pessoa faça o trabalho de equipes inteiras, diz Zuckerberg

Renê Fraga
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Principais destaques

  • Mark Zuckerberg afirma que a inteligência artificial já está mudando a estrutura do trabalho dentro da Meta.
  • A empresa registrou aumento de até 80% na produtividade entre engenheiros que usam ferramentas internas de IA.
  • Mesmo com ganhos de eficiência e cortes pontuais, a Meta projeta investimentos recordes em infraestrutura de IA até 2026.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa futura e já está redefinindo o dia a dia das grandes empresas de tecnologia.

Segundo Mark Zuckerberg, CEO da Meta Platforms, funcionários individuais da companhia já conseguem executar tarefas que antes exigiam equipes inteiras. Para ele, 2026 marcará uma virada definitiva na forma como trabalhamos.

A declaração foi feita durante a apresentação de resultados do quarto trimestre da Meta, quando Zuckerberg descreveu uma organização mais horizontal, sustentada por ferramentas de IA pensadas para potencializar o impacto de cada colaborador.

Uma nova lógica de produtividade impulsionada por IA

De acordo com Zuckerberg, a Meta vem apostando em “ferramentas nativas de IA” que ampliam a capacidade criativa e técnica de engenheiros e desenvolvedores.

Projetos complexos, que antes demandavam grupos grandes e coordenação extensa, agora podem ser conduzidos por uma única pessoa altamente qualificada.

Essa visão foi reforçada por números apresentados pela diretora financeira Susan Li. Desde o início de 2025, a produção por engenheiro cresceu cerca de 30%, puxada principalmente por assistentes de programação baseados em IA.

Entre os usuários mais avançados dessas ferramentas, o salto de produtividade chegou a 80% em relação ao ano anterior.

Uma tendência que se espalha pelo setor de tecnologia

O movimento não é exclusivo da Meta. Empresas como Google e Microsoft já admitiram que a IA responde por até 30% do código produzido internamente.

Para Sam Altman, da OpenAI, essa evolução pode permitir que equipes minúsculas, ou até fundadores individuais, criem empresas bilionárias.

Esses sinais reforçam a percepção de que a IA está se tornando um multiplicador de talento, reduzindo barreiras de escala e acelerando ciclos de inovação.

Contratações, cortes e investimentos bilionários

Apesar do discurso sobre eficiência, a Meta afirma que continua contratando. A empresa fechou o último trimestre com 6% mais funcionários do que no ano anterior, com foco em áreas como monetização, infraestrutura, conformidade regulatória e o recém-criado Laboratório de Superinteligência.

Ainda assim, houve ajustes. No início do ano, cerca de 1.500 pessoas foram desligadas, principalmente na divisão Reality Labs, em um movimento de realocação de recursos do metaverso para IA e dispositivos vestíveis.

Esse reposicionamento vem acompanhado de gastos agressivos. A Meta projeta investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em capital até 2026, quase o dobro do desembolsado em 2025, com foco em data centers, chips próprios e talentos especializados.

O debate sobre impacto no emprego é global. A Amazon, por exemplo, anunciou recentemente milhares de cortes, associando a decisão à adoção de IA. Um estudo do Fórum Econômico Mundial indica que 41% das empresas esperam reduzir seus quadros nos próximos cinco anos devido à automação inteligente.

Para Zuckerberg, porém, o momento representa mais oportunidade do que ameaça. Na visão dele, a Meta quer ser o lugar onde profissionais altamente talentosos conseguem gerar o maior impacto possível com o apoio da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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