Principais destaques:
- Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, acredita que a inteligência artificial reduzirá a semana de trabalho para 3,5 dias nas próximas décadas.
- O banco já é um grande laboratório de IA, com 2.000 profissionais dedicados e US$ 2 bilhões investidos por ano na tecnologia.
- Apesar do otimismo, Dimon alerta que a IA eliminará empregos, e governos e empresas precisam agir agora para preparar a transição.
O Futuro do Trabalho Segundo Jamie Dimon
Durante o America Business Forum, em Miami, no dia 6 de novembro, Jamie Dimon fez uma previsão que parece saída de uma ficção científica: nas próximas décadas, poderemos viver em um mundo onde a semana de trabalho terá apenas três dias e meio.
Em suas palavras, a IA afetará “cada aplicação, cada trabalho, cada interface com o cliente”. Dimon acredita que as sociedades desenvolvidas estarão, dentro de 20 a 40 anos, trabalhando menos horas, mas com “vidas mais plenas e produtivas”.
Embora soe utópico, o otimismo de Dimon vem de resultados concretos dentro do JPMorgan Chase, que se tornou um verdadeiro laboratório de IA em tempo real.
JPMorgan: Um Caso Real de Transformação com IA
O banco de investimento mais valioso do mundo está testando o futuro hoje.
Cerca de 2.000 profissionais desenvolvem sistemas de IA, enquanto 150.000 colaboradores utilizam grandes modelos de linguagem semanalmente em tarefas internas.
Esses sistemas cuidam de processos como detecção de fraudes, revisão de contratos jurídicos, reconciliação de dados e campanhas de marketing automatizadas.
Em uma entrevista à Bloomberg, Dimon revelou que o JPMorgan investe cerca de US$ 2 bilhões por ano em IA e já recupera esse valor em redução de custos operacionais — um retorno simétrico impressionante que, segundo ele, representa “apenas a ponta do iceberg”.
Dimon também destacou que o impacto econômico da IA é muito mais profundo do que o da revolução da internet, por ser intensivo em capital e energia. Ele alertou que nem todos os projetos de IA terão energia e escala suficientes para prosperar, pedindo mais cautela e seletividade dos investidores.
Um Amanhã de Oportunidades (e Desafios)
Apesar do tom confiante, Dimon não ignora o lado mais doloroso da revolução da IA: a eliminação de empregos tradicionais.
Durante a conferência Fortune Most Powerful Women, ele foi direto: “As pessoas precisam parar de esconder a cabeça na areia”.
Para o executivo, a próxima década exigirá requalificação em larga escala, programas de apoio à renda e adaptação social para evitar desequilíbrios no mercado de trabalho. Algumas profissões deixarão de existir, enquanto novas funções surgirão, exigindo criatividade, adaptação e domínio digital.
Dimon não está sozinho nesse raciocínio. Bill Gates já havia afirmado que a IA poderá levar a uma sociedade com jornadas de três dias por semana, enquanto Eric Yuan, CEO do Zoom, projeta que “toda empresa apoiará semanas de três ou quatro dias” conforme a produtividade crescer.
O aviso é claro: estamos entrando em uma era em que trabalhar menos pode significar produzir mais, se soubermos usar a inteligência artificial a nosso favor.
