Principais destaques:
- 🌌 Uma nova ferramenta de IA, chamada LifeTracer, consegue distinguir moléculas biológicas das não biológicas com mais de 87% de precisão.
- 🧬 A tecnologia promete revolucionar a busca por vida fora da Terra, analisando amostras de meteoritos e rochas planetárias.
- 🤖 Pesquisas paralelas mostram que a IA já consegue identificar vestígios de vida com bilhões de anos, ampliando o alcance da astrobiologia.
Cientistas estão mais próximos de responder à pergunta que há séculos instiga a humanidade: existe vida fora da Terra?
Pesquisadores liderados por José C. Aponte e Amirali Aghazadeh desenvolveram o LifeTracer, uma estrutura de aprendizado de máquina capaz de identificar padrões moleculares que diferenciam origens biológicas e não biológicas com alta precisão.
O estudo, publicado em 19 de novembro de 2025 na PNAS Nexus, revela como a inteligência artificial está se tornando uma ferramenta essencial para as futuras missões planetárias.
A equipe analisou oito meteoritos carbonáceos e dez amostras geológicas terrestres, totalizando quase 10 mil picos moleculares distintos em cada tipo de material.
A ciência por trás da descoberta
O segredo do LifeTracer está em sua capacidade de processar dados de espectrometria de massa, uma técnica que revela a composição química de amostras espaciais.
Por meio de aprendizado de máquina, o sistema consegue detectar as “impressões digitais” químicas da vida, algo até então inimaginável em escala tão precisa.
Entre as descobertas, compostos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e suas variações alquiladas surgiram como indicadores cruciais. O naftaleno, por exemplo, apareceu como um dos compostos mais característicos de amostras formadas em contextos não biológicos.
O padrão químico das amostras de meteorito exibiu tempos de retenção menores, sinalizando uma maior volatilidade, algo típico de materiais abióticos.
“A nova abordagem permite uma detecção escalável e imparcial de bioassinaturas e pode ajudar a interpretar misturas orgânicas complexas que serão trazidas de futuras missões espaciais”, afirmam os autores do estudo.
O método usa cromatografia gasosa bidimensional acoplada à espectrometria de massas de tempo de voo de alta resolução, uma tecnologia que já é compatível com os instrumentos em operação no rover Curiosity da NASA, em Marte.
Quando a IA encontra a astrobiologia
Em um estudo publicado no dia anterior, 18 de novembro, pesquisadores da Carnegie Institution for Science mostraram resultados igualmente promissores.
Usando técnicas semelhantes, detectaram indícios químicos de vida em rochas de 3,3 bilhões de anos aqui na Terra.
Liderados por Michael L. Wong e Anirudh Prabhu, o grupo demonstrou que modelos de IA podem identificar vestígios biológicos mesmo após bilhões de anos de transformações geológicas.
Essas descobertas não são isoladas: elas estão criando um novo campo de investigação, onde a inteligência artificial e a astrobiologia caminham lado a lado.
Em agosto, a NASA aprovou um investimento de US$ 5 milhões para uma equipe que inclui Wong e Prabhu, com o objetivo de desenvolver novas ferramentas de IA para detectar vida em outros planetas.
O plano é ambicioso: analisar pelo menos mil amostras, que vão desde meteoritos até formas de vida conhecidas.
Um futuro onde a IA poderá reconhecer a vida no cosmos
O avanço do LifeTracer e de tecnologias semelhantes marca o início de uma nova era científica.
Em vez de depender apenas da observação humana, a astrobiologia agora conta com sistemas inteligentes capazes de reconhecer os rastros químicos da vida, mesmo a milhões de quilômetros de distância.
A pergunta “estamos sozinhos no universo?” talvez ainda não tenha resposta definitiva, mas com o apoio da inteligência artificial, estamos mais perto do que nunca de descobri-la.
