📰 Destaques principais:
- Jornalista inexistente enganou grandes veículos dos EUA: Wired e Business Insider publicaram textos escritos por uma identidade falsa criada com IA.
- Histórias inventadas ganharam espaço real: desde casamentos no Minecraft até relatos pessoais sobre trabalho remoto e maternidade tardia.
- O golpe só foi descoberto após uma investigação minuciosa: quando um editor desconfiou de uma cidade fantasma que simplesmente não existia.
Nos últimos meses, dois dos maiores veículos de tecnologia e negócios dos Estados Unidos, Wired e Business Insider, foram enganados por uma jornalista que, na verdade, nunca existiu.
O nome era Margaux Blanchard, mas por trás dele não havia uma pessoa, e sim um conjunto de textos gerados por inteligência artificial.
Segundo o jornal The Guardian, pelo menos seis publicações já removeram artigos assinados por essa identidade fictícia.
Entre os textos estavam histórias aparentemente inofensivas, como um casal que se conheceu no Minecraft e decidiu se casar dentro do jogo, até ensaios em primeira pessoa sobre trabalho remoto e maternidade tardia.
Tudo parecia real, mas não passava de ficção criada por algoritmos.
A cidade que não existia
O esquema começou a ruir quando Jacob Furedi, editor do site Dispatch, recebeu uma proposta de pauta de Blanchard.
O tema? Uma cidade misteriosa no Colorado chamada Grayvmont, supostamente um antigo vilarejo de mineração transformado em centro secreto de treinamento para investigações de mortes.
A história parecia intrigante, mas havia um problema: Grayvmont não existia em nenhum registro oficial. Furedi suspeitou imediatamente que o texto havia sido escrito por uma IA, possivelmente o ChatGPT.
Ao pedir documentos e provas, recebeu respostas evasivas, cheias de detalhes, mas sem nenhuma comprovação.
Quando pressionado sobre a própria identidade, o suposto jornalista simplesmente desapareceu.
A reação dos veículos enganados
Após a revelação, a Wired admitiu publicamente o erro:
“Se existe uma publicação que deveria ser capaz de identificar um golpe de IA, essa publicação é a Wired. E, de fato, nós identificamos vários. Mas, infelizmente, um conseguiu passar.”
Já o Business Insider afirmou que reforçou seus protocolos de verificação de autores para evitar que algo semelhante volte a acontecer.
Esse episódio expõe um dilema crescente: como o jornalismo pode se proteger em uma era em que a inteligência artificial é capaz de criar identidades convincentes, histórias detalhadas e até entrevistas fictícias?
Mais do que um simples golpe, o caso Margaux Blanchard é um alerta sobre os limites entre realidade e ficção no ecossistema digital.
