Principais destaques:
- A IA está sendo usada majoritariamente para apoiar pessoas, não para substituí-las.
- Quase metade das ocupações já consegue aplicar IA em pelo menos 25% das tarefas.
- Ganhos de produtividade existem, mas dependem fortemente de supervisão humana.
A inteligência artificial vem se consolidando mais como uma aliada do trabalhador do que como uma ameaça direta aos empregos.
Essa é a principal conclusão de um novo estudo divulgado pela Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude.
A pesquisa ajuda a esfriar previsões extremas sobre substituição em massa de profissionais e traz um retrato mais realista do impacto da IA no dia a dia do trabalho.
O levantamento faz parte do quarto relatório trimestral do Índice Econômico da Anthropic e analisou cerca de 2 milhões de interações anônimas com o Claude ao longo de novembro de 2025.
Os dados mostram que 49% das ocupações já conseguem usar IA em ao menos um quarto de suas atividades, um salto relevante frente aos 36% registrados apenas três meses antes.
IA como copiloto, não como substituto
Um dos achados mais importantes do estudo é que o uso predominante da IA ocorre em formato colaborativo.
Em mais da metade das interações analisadas, os usuários trabalham junto com o sistema, revisando, orientando e refinando resultados, em vez de simplesmente delegar tarefas de ponta a ponta.
Segundo Peter McCrory, líder de economia da Anthropic, esse padrão é especialmente visível em tarefas complexas.
Em entrevista ao Axios, ele explicou que quanto mais sofisticada é a demanda, maior se torna a necessidade de direcionamento humano, pensamento crítico e iteração contínua com a IA.
Produtividade cresce, mas exige supervisão
O estudo aponta que os maiores ganhos de produtividade surgem quando a IA assume partes repetitivas ou operacionais do trabalho, liberando profissionais para atividades de maior valor.
Em funções como análise de dados, pesquisa, escrita técnica e até áreas médicas, a tecnologia funciona como um acelerador, não como um substituto completo.
A Anthropic estima que a adoção ampla da IA pode adicionar entre 1 e 2 pontos percentuais ao crescimento anual da produtividade do trabalho nos Estados Unidos na próxima década.
Quando se considera a taxa real de sucesso das tarefas, esse ganho tende a ficar mais próximo de 1 ponto percentual, ainda assim um impacto relevante em escala econômica.
Desigualdade global e incertezas no horizonte
Apesar do otimismo moderado, o relatório também levanta alertas. Países mais ricos estão adotando IA em ritmo muito mais acelerado do que nações de baixa renda.
De acordo com análises publicadas pelo Financial Times, não há sinais claros de que economias menos desenvolvidas estejam conseguindo acompanhar essa transformação, o que pode ampliar desigualdades globais.
O tom cauteloso contrasta com declarações anteriores do CEO da Anthropic, Dario Amodei, que já alertou para o risco de a IA eliminar até metade dos cargos iniciais de escritório nos próximos anos.
O próprio estudo reconhece que o futuro permanece incerto e que a expertise humana pode tanto proteger empregos quanto se tornar um gargalo para aproveitar todo o potencial da tecnologia.
No fim, o relatório reforça uma ideia central: a inteligência artificial, pelo menos neste momento, não está substituindo pessoas em massa, mas redefinindo como elas trabalham. O impacto final vai depender menos da tecnologia em si e mais de como sociedades, empresas e profissionais escolhem integrá-la ao trabalho cotidiano.







