Grok Imagine: ferramenta de vídeo com IA da xAI chega ao X com modo “picante”

Renê Fraga
4 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • xAI lança o Grok Imagine, uma ferramenta de criação de vídeos com inteligência artificial, exclusiva para assinantes SuperGrok e Premium+.
  • Vídeos de até seis segundos com som sincronizado são gerados a partir de prompts ou imagens estáticas.
  • Modo “spicy” causa polêmica, permitindo conteúdo sugestivo com moderação automatizada.

A startup xAI, de Elon Musk, deu um passo importante no universo da criação de vídeos com inteligência artificial ao lançar o Grok Imagine, sua nova ferramenta exclusiva para usuários pagantes do X (antigo Twitter).

A proposta é simples e ambiciosa: transformar ideias em pequenos vídeos de seis segundos, com som incluído — tudo isso diretamente dentro do app da Grok.

Apesar do visual compacto e do nome nostálgico (uma clara referência ao Vine), o recurso traz funcionalidades que posicionam a ferramenta ao lado de gigantes como Sora (OpenAI), Veo (Google) e Runway, que disputam espaço no mercado emergente de vídeo gerado por IA.

Como funciona o Grok Imagine

Disponível apenas para quem assina os planos SuperGrok (US$ 30/mês) ou Premium+ (US$ 35/mês), o Grok Imagine permite criar vídeos curtos e em loop a partir de simples comandos de texto. Também é possível enviar imagens estáticas e animá-las automaticamente.

O resultado: pequenos clipes com som que lembram os tempos áureos do Vine, plataforma de vídeos curtos encerrada em 2016 e que Musk parece querer ressuscitar sob uma nova forma, agora movida por IA.

Esses vídeos são acessíveis por meio de uma aba dedicada no aplicativo Grok. O diferencial em relação a algumas ferramentas concorrentes é justamente a presença de áudio sincronizado, algo ainda não padronizado nesse tipo de solução.

A controvérsia do “modo picante”

Um dos recursos mais comentados (e criticados) do Grok Imagine é o chamado “spicy mode”, que permite a criação de conteúdos mais ousados e sugestivos.

Embora o sistema tenha filtros para barrar nudez ou sexualização explícita, o modo libera certa liberdade criativa para explorar temáticas mais sensuais, o que tem gerado incômodo em parte da comunidade.

Elon Musk chegou a divulgar um vídeo criado com a ferramenta mostrando um anjo com trajes provocantes. A publicação gerou uma enxurrada de reações negativas, mesmo com a xAI garantindo que o sistema possui moderação ativa e limites bem definidos para evitar abusos.

Ainda assim, alguns usuários parecem estar testando os limites da IA e da paciência do público. O temor é que esse tipo de conteúdo contorne os filtros e acabe sendo utilizado de forma irresponsável.

Potencial criativo e riscos associados

Apesar das polêmicas, a xAI tenta destacar as aplicações positivas do Grok Imagine. A empresa o posiciona como uma ferramenta versátil, capaz de atender desde profissionais de marketing criando campanhas, até professores que desejam transformar aulas em conteúdos animados.

No entanto, a credibilidade da empresa ainda é um ponto de atenção. Afinal, não faz muito tempo que o Grok, o chatbot da xAI, foi acusado de reproduzir discursos problemáticos e extremistas, o que levanta a pergunta: é seguro confiar que a moderação do Grok Imagine dará conta do recado?

A discussão não se limita apenas à tecnologia, mas à responsabilidade das empresas de IA ao liberar ferramentas poderosas nas mãos do público. O “modo picante”, embora restrito, pode ser o fio que separa a inovação da polêmica.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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