Grandes empresas dão sinais de desaceleração na adoção de IA

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Adoção de inteligência artificial por grandes companhias registra queda inédita desde 2022.
  • Taxa de implementação caiu de quase 14% para 12% entre gigantes corporativos.
  • Bilhões investidos em data centers e infraestrutura não impediram a curva de esfriamento.

Embora os últimos anos tenham sido marcados por uma corrida quase frenética em direção à inteligência artificial, novos dados sugerem que o ritmo pode estar diminuindo, especialmente dentro das grandes corporações.

De acordo com um levantamento recente do US Census Bureau, empresas com mais de 250 funcionários reduziram sua taxa de adoção de IA.

O índice, que havia atingido o pico de quase 14% no início do verão norte-americano, recuou para cerca de 12%. O recuo pode parecer pequeno, mas envia um sinal claro: os ventos de empolgação que impulsionaram projetos bilionários estão agora passando por um momento de cautela.

Torsten Sløk, economista-chefe da Apollo Academy, destacou que os números vêm confirmando, pela primeira vez desde 2022, uma desaceleração perceptível no entusiasmo das grandes empresas em incorporar inteligência artificial em seus processos.


O que explica essa freada inesperada?

Essa retração não significa que a inteligência artificial tenha perdido relevância, muito pelo contrário. O que vemos é uma espécie de “reajuste de expectativas” após a fase inicial de euforia.

No começo, a promessa de ganhos rápidos em eficiência e inovação levou empresas a investirem de forma agressiva. Porém, conforme os projetos avançaram, ficou evidente que resultados consistentes exigem mais tempo, planejamento e ajustes organizacionais profundos.

Ainda assim, a queda chama atenção porque essas mesmas empresas destinaram somas colossais para infraestrutura, data centers e mão de obra especializada justamente para acelerar a presença da IA em suas operações.


O impacto desse movimento para o mercado

Se as maiores organizações começarem a pisar no freio, o reflexo pode se espalhar por todo o ecossistema de tecnologia.

Fornecedores de serviços de nuvem, startups focadas em inteligência artificial e até universidades que estruturam cursos voltados para essa área podem sentir o efeito.

Mas há também um lado positivo nesse aparente “resfriamento”: ele pode indicar uma transição de fase. Em vez de correr atrás apenas da novidade, as companhias agora podem estar focando em resultados práticos, sustentáveis e alinhados às suas realidades de negócio.

A adoção deixa de ser movida pela moda e começa a buscar impacto real.


O que esperar daqui para frente?

Ainda é cedo para falar em um esgotamento da IA nas empresas.

Tudo indica que estamos diante de uma curva de maturação: após o hype inicial, a inteligência artificial deve entrar em uma etapa mais estratégica e seletiva.

Em outras palavras, a pergunta já não é mais “quem vai adotar IA?”, mas sim “quem vai conseguir transformá-la em valor real?”.

Para os observadores de perto do universo tecnológico, esse movimento pode até ser um sinal saudável, mostrando que a febre inicial está dando espaço para escolhas mais conscientes e menos apressadas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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